Pneumotórax Hipertensivo: Diagnóstico e Manejo Imediato

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 27 anos, vítima de acidente motociclístico, chega à urgência trazido pelo SAMU com colar cervical e prancha rígida. Apresenta-se levemente confuso, com aumento da frequência respiratória e Sat O₂ de 81% em ar ambiente. PA=80 x 40 e frequência cardíaca = 130 bpm. Murmúrio vesicular ausente à esquerda, com hipertimpanismo em hemitórax ipsilateral. Abdome apresenta-se normotenso e indolor. Escoriações difusas em membros. Após início de oxigenioterapia em máscara, qual a próxima conduta adequada ao caso?

Alternativas

  1. A) Toracotomia à esquerda e massagem cardíaca interna.
  2. B) Pericardiocentese.
  3. C) Tomografia computadorizada de corpo inteiro.
  4. D) Lavado peritoneal diagnóstico.
  5. E) Punção descompressiva em hemitórax esquerdo + toracostomia com drenagem fechada à esquerda.

Pérola Clínica

Trauma torácico + hipotensão + taquicardia + MV ausente + hipertimpanismo → pneumotórax hipertensivo = punção de alívio imediata.

Resumo-Chave

O quadro clínico de hipotensão, taquicardia, desaturação, murmúrio vesicular ausente e hipertimpanismo em hemitórax ipsilateral após trauma torácico é altamente sugestivo de pneumotórax hipertensivo, uma emergência médica que causa choque obstrutivo. A conduta imediata é a descompressão torácica, seguida pela drenagem torácica definitiva.

Contexto Educacional

O trauma torácico é uma das principais causas de morbimortalidade em pacientes vítimas de acidentes, e o pneumotórax hipertensivo representa uma emergência com risco de vida. Ele ocorre quando o ar entra na cavidade pleural durante a inspiração, mas não consegue sair durante a expiração, levando a um acúmulo progressivo de ar que aumenta a pressão intratorácica. Essa pressão comprime o pulmão ipsilateral, desvia o mediastino para o lado contralateral, e impede o retorno venoso ao coração, resultando em choque obstrutivo. O diagnóstico do pneumotórax hipertensivo é eminentemente clínico e não deve ser atrasado por exames de imagem. Os sinais clássicos incluem hipotensão, taquicardia, desaturação, ausência de murmúrio vesicular e hipertimpanismo à percussão no lado afetado. Em casos avançados, pode haver desvio da traqueia e turgência jugular. A conduta imediata é a descompressão torácica com agulha calibrosa (punção de alívio), que transforma o pneumotórax hipertensivo em um pneumotórax simples, permitindo a estabilização hemodinâmica. Após a descompressão inicial, a conduta definitiva é a toracostomia com drenagem fechada (instalação de um dreno torácico em selo d'água) para evacuar o ar da cavidade pleural e permitir a reexpansão pulmonar. O manejo rápido e eficaz é crucial para prevenir a parada cardiorrespiratória e garantir a sobrevida do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de pneumotórax hipertensivo?

Os sinais incluem hipotensão, taquicardia, desvio de traqueia (tardio), turgência jugular (nem sempre presente em hipovolemia), murmúrio vesicular ausente e hipertimpanismo no hemitórax afetado, além de desaturação e desconforto respiratório.

Qual a conduta inicial para um pneumotórax hipertensivo?

A conduta inicial e imediata é a punção descompressiva com agulha calibrosa no segundo espaço intercostal na linha hemiclavicular ou no quinto espaço intercostal na linha axilar média, seguida pela instalação de um dreno torácico em selo d'água.

Por que o pneumotórax hipertensivo causa choque?

Ele causa choque obstrutivo porque o ar que entra na cavidade pleural não consegue sair, aumentando a pressão intratorácica. Isso comprime o pulmão, desvia o mediastino, impede o retorno venoso ao coração e diminui o débito cardíaco, levando à hipotensão e taquicardia.

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