MedEvo Simulado — Prova 2026
Rafael, um homem de 28 anos, é trazido ao setor de emergência pelo SAMU após sofrer uma queda de motocicleta em alta velocidade. Durante a avaliação primária, o paciente apresenta-se taquipneico, com sudorese intensa e agitação psicomotora. Os sinais vitais revelam pressão arterial de 82 x 48 mmHg, frequência cardíaca de 132 bpm e saturação de oxigênio de 86% em máscara de reservatório. Ao exame segmentar do tórax, observa-se turgência jugular bilateral, ausência de murmúrio vesicular em hemitórax esquerdo e hipertimpanismo à percussão no mesmo lado. A traqueia encontra-se levemente desviada para a direita. Diante desse quadro clínico, a conduta imediata mais adequada é:
Hipotensão + Turgência Jugular + Murmúrio ↓ + Hipertimpanismo = Pneumotórax Hipertensivo.
O pneumotórax hipertensivo é um diagnóstico clínico e uma emergência com risco de vida imediato por choque obstrutivo. A descompressão não deve aguardar exames de imagem.
O pneumotórax hipertensivo ocorre quando uma lesão pulmonar ou da parede torácica funciona como uma válvula unidirecional, permitindo a entrada de ar no espaço pleural sem saída. Isso eleva a pressão intratorácica, colapsando o pulmão ipsilateral e desviando o mediastino. No trauma, a avaliação primária (ABCDE) deve identificar essa condição no 'B' (Breathing) ou 'C' (Circulation, pelo choque). A conduta padrão-ouro imediata é a descompressão torácica (por agulha ou digital) seguida obrigatoriamente pela drenagem torácica em selo d'água no 5º espaço intercostal, entre as linhas axilar anterior e média.
O diagnóstico é eminentemente clínico e se baseia na tríade de insuficiência respiratória (taquipneia, hipóxia), colapso circulatório (hipotensão, taquicardia) e sinais físicos específicos no tórax. Os achados incluem ausência ou diminuição importante do murmúrio vesicular unilateral, hipertimpanismo à percussão, desvio da traqueia para o lado contralateral e turgência jugular (devido ao impedimento do retorno venoso). A presença de choque (hipotensão) diferencia o pneumotórax hipertensivo do pneumotórax simples, exigindo intervenção imediata antes mesmo de qualquer exame radiológico.
De acordo com as atualizações mais recentes do ATLS (10ª edição), a descompressão por agulha em adultos deve ser preferencialmente realizada no quinto espaço intercostal, na linha axilar média. Alternativamente, pode-se utilizar o segundo espaço intercostal na linha hemiclavicular, embora este local apresente maior taxa de falha devido à espessura da parede torácica em alguns pacientes. Em crianças, o segundo espaço intercostal na linha hemiclavicular continua sendo a primeira opção recomendada. A agulha deve ser de calibre grosso (14-16G) para garantir a saída efetiva do ar sob pressão.
A hipotensão ocorre devido a um mecanismo de choque obstrutivo. O acúmulo de ar no espaço pleural sob pressão positiva causa o desvio do mediastino para o lado oposto. Esse desvio comprime as veias cavas superior e inferior e o átrio direito, reduzindo drasticamente o retorno venoso (pré-carga). Com a redução do enchimento ventricular, o débito cardíaco cai severamente, levando à hipotensão arterial e perfusão tecidual inadequada. Se não aliviado imediatamente, o quadro evolui para atividade elétrica sem pulso (AESP) e óbito.
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