Pneumotórax: Diagnóstico e Complicações de Acesso Central

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem de 38 anos, obeso mórbido, dá entrada no Pronto-Socorro por descompensação diabética, e após avaliação inicial, recebe indicação de internação para hidratação por via intravenosa por desidratação moderada e tratamento clínico adequado. Após as condutas iniciais tomadas na sala de emergência, apresenta dispneia intensa súbita e o médico solicita o rX demonstrado a seguir.Em face do exposto, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Trata-se de pneumotórax à direita devido a complicações de acesso venoso central.
  2. B) Além do acesso venoso central em subclávia direita, também apresenta tubo orotraqueal.
  3. C) Há presença de condensação pulmonar em área peri-hilar à direita.
  4. D) Paciente apresenta calcificação do botão aórtico com provável aneurisma.
  5. E) O índice cardiotorácico do paciente é 0,7, o que indica normalidade da área cardíaca.

Pérola Clínica

Dispneia súbita + acesso venoso central + imagem de pneumotórax → Complicação de procedimento.

Resumo-Chave

A dispneia súbita após a inserção de um acesso venoso central, especialmente em subclávia, deve levantar a suspeita de pneumotórax como complicação. A radiografia de tórax é fundamental para confirmar o diagnóstico, mostrando a ausência de trama vascular e o desvio da pleura visceral.

Contexto Educacional

O pneumotórax é a presença de ar no espaço pleural, resultando no colapso parcial ou total do pulmão. É uma condição que pode ser espontânea ou secundária a traumas, doenças pulmonares ou procedimentos médicos. A dispneia súbita e a dor torácica são sintomas clássicos, e a suspeita clínica deve ser alta em pacientes que desenvolveram esses sintomas após um procedimento invasivo. A inserção de acesso venoso central, particularmente em veias subclávias ou jugulares internas, é uma causa comum de pneumotórax iatrogênico. A agulha pode perfurar a pleura, permitindo que o ar entre no espaço pleural. Em pacientes obesos mórbidos, a anatomia pode ser mais desafiadora, aumentando o risco de complicações. A radiografia de tórax é o método diagnóstico padrão, mostrando a linha da pleura visceral e a ausência de trama vascular além dela. O manejo do pneumotórax depende do seu tamanho e da estabilidade clínica do paciente. Pequenos pneumotórax podem ser observados, enquanto os maiores ou sintomáticos requerem drenagem torácica. A prevenção, através de técnica asséptica rigorosa e ultrassonografia para guiar a punção, é fundamental para minimizar o risco dessa complicação potencialmente grave. O reconhecimento rápido e a intervenção adequada são cruciais para evitar a progressão para um pneumotórax hipertensivo, uma emergência com risco de vida.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de um pneumotórax?

Os sinais clínicos incluem dispneia súbita, dor torácica pleurítica, taquipneia e, ao exame físico, pode-se encontrar murmúrio vesicular diminuído ou abolido, hiperressonância à percussão e desvio da traqueia em casos de pneumotórax hipertensivo.

Por que o acesso venoso central é um fator de risco para pneumotórax?

A inserção de acesso venoso central, especialmente em veias subclávias ou jugulares internas, envolve a passagem da agulha próxima ao ápice pulmonar. Uma perfuração acidental da pleura parietal e visceral pode levar ao extravasamento de ar para o espaço pleural, causando pneumotórax.

Como a radiografia de tórax confirma o diagnóstico de pneumotórax?

A radiografia de tórax é o exame de escolha para confirmar o pneumotórax. Ela revela a presença de ar no espaço pleural, caracterizada pela ausência de trama vascular pulmonar na área afetada e a visualização da linha da pleura visceral, separada da parede torácica.

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