ENARE/ENAMED — Prova 2025
Um homem de 23 anos, estudante de música, saudável e sem história patológica de doenças respiratórias, chega ao pronto-socorro com dor torácica súbita e intensa do lado direito, com dispneia. Ele relata que estava estudando com seu saxofone quando os sintomas começaram. No exame físico, observa-se diminuição do murmúrio respiratório no hemitórax direito, com hipertimpanismo à percussão e diminuição da expansão torácica nesse lado. O paciente está consciente, orientado, com frequência respiratória de 24 incursões por minuto e saturação de oxigênio de 93% em ar ambiente. Uma telerradiografia de tórax confirma a presença de um pneumotórax no hemitórax direito, ocupando aproximadamente 30%. Diante desse quadro clínico, a conduta terapêutica mais adequada é:
Pneumotórax espontâneo > 20% ou sintomático → Drenagem pleural em selo d'água.
O pneumotórax espontâneo primário em pacientes sintomáticos ou com colapso pulmonar significativo requer intervenção imediata para reexpansão pulmonar e prevenção de insuficiência respiratória.
O pneumotórax espontâneo primário ocorre tipicamente em homens jovens, magros e altos, devido à ruptura de pequenas bolhas apicais (blebs). O quadro clínico clássico é dor torácica súbita e dispneia, com achados de hipertimpanismo e redução do murmúrio vesicular no exame físico. A diretriz da British Thoracic Society (BTS) e outras sociedades brasileiras recomendam que, para pneumotórax extensos ou sintomáticos, a drenagem pleural é a conduta de escolha. O uso do selo d'água permite a saída do ar e impede o seu retorno, facilitando a cicatrização da pleura visceral.
A drenagem pleural está indicada em pneumotórax espontâneos primários quando o paciente está sintomático (dispneia, dor importante) ou quando o tamanho é grande (geralmente > 2cm na altura do hilo ou > 20-30% do volume do hemitórax).
Instrumentos como o saxofone exigem altas pressões intratorácicas e manobras de Valsalva repetidas, o que pode levar à ruptura de blebs subpleurais preexistentes, resultando em pneumotórax espontâneo.
A punção aspirativa com agulha/cateter pode ser tentada em casos selecionados de primeiro episódio, mas a drenagem com tubo em selo d'água é mais definitiva e segura para garantir a reexpansão em pacientes com sintomas claros e colapso de 30%.
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