MedEvo Simulado — Prova 2026
Um homem de 21 anos, previamente hígido, apresenta-se ao pronto-atendimento com queixa de dor súbita em hemitórax esquerdo há 4 horas, associada a tosse seca. Nega traumas recentes ou episódios prévios semelhantes, mas relata ser tabagista ocasional. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, orientado, eupneico com frequência respiratória de 18 incursões por minuto, saturação de oxigênio de 96% em ar ambiente e frequência cardíaca de 84 batimentos por minuto. A ausculta pulmonar revela murmúrio respiratório abolido nos dois terços superiores do hemitórax esquerdo, acompanhado de percussão hipertimpânica na mesma região e estabilidade hemodinâmica. A radiografia de tórax realizada em posição ortostática demonstra uma linha de pleura visceral afastada da parede torácica em 4 cm na altura do hilo pulmonar, sem desvio das estruturas do mediastino. Com base no quadro clínico apresentado, a conduta inicial mais adequada é:
Pneumotórax estável > 2cm no hilo ou sintomático → Drenagem torácica (selo d'água).
O tratamento do pneumotórax espontâneo primário depende do tamanho da lâmina e da estabilidade clínica; lâminas > 2cm em pacientes sintomáticos indicam drenagem.
O pneumotórax espontâneo primário (PEP) é uma patologia frequente em prontos-socorros. O diagnóstico é clínico-radiológico, caracterizado por dor pleurítica súbita e dispneia. Na radiografia, a visualização da linha da pleura visceral sem trama vascular periférica confirma o achado. A mensuração do tamanho (distância pleura-parede) é fundamental para a decisão terapêutica correta. Atualmente, diretrizes como as da BTS e da SBCT sugerem que em pacientes estáveis com pneumotórax pequeno (< 2cm), a observação e oxigenoterapia (que acelera a reabsorção do ar pelo gradiente de nitrogênio) podem ser suficientes. No entanto, o caso apresenta uma lâmina de 4cm, o que classifica o pneumotórax como grande, tornando a drenagem torácica em selo d'água a conduta padrão ouro para garantir a reexpansão e monitorar possíveis fístulas aéreas persistentes.
A indicação de drenagem torácica (ou aspiração simples em alguns protocolos) baseia-se no tamanho do pneumotórax e nos sintomas. Segundo a British Thoracic Society (BTS), uma distância > 2cm entre a borda do pulmão (pleura visceral) e a parede torácica ao nível do hilo define um pneumotórax 'grande'. Pacientes com pneumotórax grande ou significativamente sintomáticos (mesmo que pequenos) devem ser submetidos à intervenção para reexpansão pulmonar imediata.
A toracocentese de alívio (descompressão por agulha) é uma medida de emergência para o pneumotórax hipertensivo, visando converter uma emergência com risco de vida em um pneumotórax simples. Já a drenagem torácica em selo d'água é o tratamento definitivo para a maioria dos pneumotórax significativos, permitindo a saída de ar e a reexpansão pulmonar contínua até que a fístula pleural cicatrize espontaneamente.
Ocorre tipicamente em adultos jovens, magros e altos (biotipo leptossômico), sem doença pulmonar subjacente conhecida. A causa principal é a ruptura de pequenas bolhas subpleurais (blebs) localizadas nos ápices pulmonares. O tabagismo é um fator de risco crucial, aumentando significativamente a chance de ocorrência e recorrência devido à inflamação crônica das vias aéreas distais e enfraquecimento da parede alveolar.
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