PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2024
Paciente C.B.M, 16 anos, sexo feminino, com história de dor torácica à direita, de início súbito e intensa, que piorava ao esforço de tosse ou inspiração profunda, e associada a dispneia aos pequenos esforços. No exame físico, a paciente encontra-se confortável em repouso ao ar ambiente e constatou-se redução do murmúrio vesicular à direita associado a hipertimpanismo homolateral. Em relação ao caso clínico acima, assinale a alternativa CORRETA.
Pneumotórax hipertensivo = Diagnóstico clínico + Tratamento imediato (sem RX).
O pneumotórax espontâneo primário em jovens requer estabilização; a imagem confirma a extensão, exceto na emergência hipertensiva onde o atraso é fatal.
O pneumotórax espontâneo primário ocorre tipicamente em adultos jovens, magros e altos, devido à ruptura de pequenas bolhas subpleurais (blebs) no ápice pulmonar. O quadro clínico clássico envolve dor torácica súbita e dispneia. Ao exame físico, a tríade de redução do murmúrio vesicular, hipertimpanismo e redução do frêmito toracovocal é característica. A conduta depende do tamanho do pneumotórax e da estabilidade clínica. Pequenos pneumotórax (< 2cm) em pacientes estáveis podem ser observados com oxigenoterapia. Casos maiores ou sintomáticos exigem drenagem pleural. A distinção crucial deve ser feita para o pneumotórax hipertensivo, uma emergência médica onde o ar entra no espaço pleural mas não sai, gerando pressão positiva que colaba o pulmão e desvia o mediastino, reduzindo o retorno venoso e levando ao choque obstrutivo.
O exame de imagem (radiografia ou ultrassom) é dispensável apenas na suspeita de pneumotórax hipertensivo. Nestes casos, o diagnóstico é puramente clínico (desvio de traqueia, hipotensão, turgência jugular, timpanismo e ausência de murmúrio) e o tratamento com descompressão por agulha ou toracostomia deve ser imediato para evitar parada cardiorrespiratória.
Embora a radiografia de tórax em expiração seja o exame inicial mais comum, a Tomografia Computadorizada (TC) de tórax é considerada o padrão-ouro por sua alta sensibilidade em detectar pequenos volumes de ar e avaliar a presença de blebs ou bolhas subpleurais, auxiliando no planejamento cirúrgico.
A taxa de recidiva após o primeiro episódio de pneumotórax espontâneo primário gira em torno de 20% a 30%. O risco aumenta significativamente (acima de 60%) somente após o segundo episódio, momento em que a intervenção cirúrgica (como a pleurodese por VATS) é geralmente indicada.
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