Visão Laser - Centro Oftalmológico (SP) — Prova 2024
Paciente de 23 anos refere que, durante o caminho para o trabalho, há cerca de 7 horas, sentiu dor torácica súbita, tipo pleurítica, localizada em hemitórax direito. Negava náusea / vômitos, irradiação da dor para algum membro, lipotímia ou dispneia. Nunca apresentou episódios similares e nega antecedentes patológicos, inclusive tabagismo. Deu entrada no pronto-atendimento eupneico em ar ambiente, sem esforço respiratório ou fala entrecortada, SatO2 96%, FR 18 irpm, normocárdico, normotenso, porém com manutenção da queixa apresentada. O médico assistente realizou ultrassonografia à beira leito com evidência clara de “Lung point” no modo M à direita, caracterizando um provável pneumotórax. Foi prescrita analgesia, fornecido oxigênio suplementar e solicitada uma radiografia simples de tórax, que confirmou o diagnóstico com uma distância de 1 centímetro entre o ápice do pulmão e a extremidade apical da cavidade pleural. Após seis horas, manteve o mesmo padrão clínico acima e repetiu-se a radiografia e não foi observado aumento do pneumotórax. O paciente insiste em alta hospitalar, sendo a conduta mais adequada:
Pneumotórax espontâneo primário < 2-3 cm em paciente estável → Observação, oxigênio e alta com retorno precoce.
Um pneumotórax espontâneo primário pequeno (geralmente < 2-3 cm) em um paciente clinicamente estável, sem dispneia significativa ou sinais de progressão, pode ser manejado de forma conservadora. A alta hospitalar é uma opção segura se houver garantia de acompanhamento e retorno precoce.
O pneumotórax espontâneo primário (PEP) é definido como a presença de ar no espaço pleural sem trauma ou doença pulmonar subjacente aparente. É mais comum em homens jovens, magros e tabagistas. A apresentação clínica típica inclui dor torácica súbita, pleurítica, e dispneia, embora a intensidade dos sintomas possa variar amplamente dependendo do tamanho do pneumotórax. O diagnóstico é confirmado por radiografia de tórax, que mostra a linha da pleura visceral separada da parede torácica, e a ausência de marcas pulmonares distalmente a essa linha. A ultrassonografia pulmonar à beira leito, com a identificação do sinal do "Lung point", tem se mostrado uma ferramenta diagnóstica rápida e eficaz, especialmente em emergências, com alta sensibilidade e especificidade. O manejo do PEP depende do tamanho do pneumotórax e da estabilidade clínica do paciente. Pneumotórax pequenos (geralmente < 2-3 cm) em pacientes assintomáticos ou com sintomas leves e estáveis podem ser tratados de forma conservadora com observação, oxigenoterapia e analgesia. A alta hospitalar é uma opção segura após um período de observação para garantir que não haja progressão, desde que o paciente seja capaz de retornar para acompanhamento e esteja ciente dos sinais de alerta para procurar atendimento médico. Pneumotórax maiores ou em pacientes instáveis requerem intervenção mais invasiva, como aspiração simples ou drenagem torácica.
Um pneumotórax é geralmente considerado pequeno quando a distância entre a parede torácica e a pleura visceral é inferior a 2-3 cm no ápice ou na linha hemiclavicular. A estabilidade clínica implica ausência de dispneia significativa, dor torácica controlada, frequência respiratória e cardíaca normais e saturação de oxigênio adequada.
A alta hospitalar pode ser considerada para pacientes com pneumotórax espontâneo primário pequeno e estável, após um período de observação (geralmente 4-6 horas) para confirmar a não progressão. É fundamental garantir que o paciente tenha acesso a acompanhamento médico precoce e seja instruído sobre sinais de alerta.
O 'Lung point' é um sinal ultrassonográfico patognomônico de pneumotórax, caracterizado pela alternância entre o deslizamento pleural normal e a ausência de deslizamento no mesmo ponto da parede torácica. Ele indica o limite do pneumotórax e confirma a presença de ar no espaço pleural.
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