UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026
Homem, 23 anos de idade, apresentou primeiro episódio de pneumotórax espontâneo à direita e foi submetido à drenagem pleural. Após expansão e resolução do pneumotórax recebeu alta com orientação para seguimento ambulatorial. Um ano depois apresentou quadro de pneumotórax espontâneo, agora à esquerda, primeiro episódio. Qual é a conduta mais adequada?
Pneumotórax espontâneo contralateral (mesmo 1º episódio) → Indicação cirúrgica bilateral (VATS).
O pneumotórax espontâneo contralateral é uma indicação absoluta de tratamento cirúrgico definitivo para prevenir episódios bilaterais simultâneos fatais.
O pneumotórax espontâneo primário ocorre tipicamente em adultos jovens, magros e altos, devido à ruptura de pequenas bolhas subpleurais (blebs). O manejo inicial do primeiro episódio costuma ser conservador ou apenas drenagem pleural. No entanto, a taxa de recorrência é significativa, chegando a 30-50% após o primeiro evento. A decisão cirúrgica visa a prevenção definitiva. Quando um paciente apresenta um evento no lado oposto ao primeiro, ele entra no critério de 'pneumotórax contralateral', o que sinaliza uma predisposição anatômica bilateral. A videotoracoscopia (VATS) é o padrão-ouro, permitindo a identificação e grampeamento das bolhas (bulectomia) seguida de pleurodese para garantir que o pulmão permaneça expandido mesmo se novas bolhas surgirem.
As principais indicações incluem: segundo episódio ipsilateral, primeiro episódio contralateral (como no caso), pneumotórax bilateral simultâneo, escape aéreo persistente (> 5-7 dias após drenagem), profissões de risco (mergulhadores, pilotos) e presença de grandes bolhas na TC.
A bulectomia consiste na ressecção cirúrgica de blebs ou bolhas subpleurais, geralmente localizadas no ápice pulmonar, que são a causa do pneumotórax. A pleurodese é a criação de uma sínfise (adesão) entre as pleuras visceral e parietal, podendo ser mecânica (abrasão) ou química (talco), para evitar o colapso pulmonar futuro.
No caso de pneumotórax contralateral, a abordagem bilateral é recomendada porque a doença de base (blebs) geralmente é bilateral. Operar ambos os lados no mesmo tempo cirúrgico (ou sequencialmente) minimiza o risco de um pneumotórax hipertensivo ou bilateral, que possui alta mortalidade.
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