UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2021
Paciente de 28 anos, 1,9m de altura, 79kg, chega ao pronto-socorro com queixa de dor torácica súbita e dispneia há cerca de 1 dia. Paciente encontra-se estável hemodinamicamente, com FR: 18 e SatO2: 98%. Feito RX tórax, evidenciou-se um pneumotórax à esquerda (imagem abaixo). Foi realizada a drenagem torácica ''em selo d'água'' que permaneceu com escape aéreo por 7 dias após o procedimento. No RX controle, após este período, paciente manteve pneumotórax residual. Paciente relata episódio semelhante há cerca de 1 ano. Qual a melhor conduta neste caso?
Pneumotórax espontâneo recorrente ou escape aéreo > 5-7 dias → Indicar cirurgia (bulectomia + pleurodese).
Em um paciente jovem com pneumotórax espontâneo, histórico de recorrência e escape aéreo persistente por 7 dias após drenagem, a conduta mais adequada é a cirurgia. A bulectomia remove as bolhas subpleurais responsáveis pelo escape, e a pleurodese previne novas recorrências.
O pneumotórax espontâneo primário ocorre na ausência de doença pulmonar subjacente, geralmente em homens jovens e altos, fumantes, devido à ruptura de bolhas subpleurais. O pneumotórax espontâneo secundário ocorre em pacientes com doença pulmonar preexistente (DPOC, fibrose cística). O diagnóstico é clínico e radiológico. O tratamento inicial para pneumotórax sintomático ou de tamanho significativo é a drenagem torácica. No entanto, em casos de escape aéreo persistente (mais de 5-7 dias) ou recorrência do pneumotórax, a abordagem cirúrgica torna-se necessária. A cirurgia, geralmente realizada por videotoracoscopia (VATS), envolve a bulectomia (ressecção das bolhas ou blebs) e a pleurodese (química ou mecânica) para promover a adesão das pleuras e prevenir futuras recorrências. A pleurodese é crucial para reduzir a taxa de recorrência, que é alta após um segundo episódio.
A cirurgia é indicada para pneumotórax espontâneo em casos de recorrência (segundo episódio), escape aéreo persistente por mais de 5-7 dias após drenagem, pneumotórax bilateral, pneumotórax em profissões de risco (mergulhadores, pilotos) ou em pacientes com bolhas apicais grandes.
A bulectomia é a ressecção cirúrgica das bolhas ou blebs subpleurais que são a causa do vazamento de ar. A pleurodese é um procedimento que cria uma adesão entre as pleuras parietal e visceral, prevenindo a recorrência do pneumotórax, e é frequentemente realizada após a bulectomia.
Escape aéreo persistente refere-se à continuidade do vazamento de ar através do dreno torácico por um período prolongado, geralmente mais de 5 a 7 dias, indicando que a fístula broncopleural não cicatrizou espontaneamente e que a reexpansão pulmonar pode estar comprometida.
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