Pneumotórax Espontâneo: Diagnóstico e Manejo Leve

HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2022

Enunciado

Paciente masculino, 19 anos, asmático controlado com corticoide inalatório, sem crises nas últimas semanas. Procura a UPA com dor torácica súbita associada a discreto esforço respiratório. Ao exame: FR 24 irpm, saturação de oxigênio 94% em ar ambiente sem esforço respiratório nem tiragem intercostal, PA 124/82mmHg, FC 88bpm, lúcido e orientado, BRF discretamente hipofonéticas sem sopros, FTV diminuído em base direita, ausculta com sons respiratórios abafados em base direita, sem sibilos ou outros ruídos adventícios à esquerda. Restante do exame físico sem particularidades. Radiografia de tórax:Com base no quadro clínico acima, assinale a alternativa que aponta o diagnóstico mais provável e a melhor conduta a ser adotada em ambiente de pronto-socorro:

Alternativas

  1. A) Derrame pericárdico sem tamponamento cardíaco, internar e iniciar colchicina e corticoide venoso.
  2. B) Crise de exacerbação de asma, iniciar nebulização com beta-2 agonista de curta duração a cada 20 minutos e corticoide inalatório e screening laboratorial incluindo gasometria arterial.
  3. C) Pneumonia comunitária em fase inicial, alta com amoxicilina + clavulanato e manter tratamento habitual intercrítico da asma.
  4. D) Covid-19 não-complicada, alta com tratamento sintomático e não indicado corticoide sistêmico.
  5. E) Pneumotórax espontâneo, conduta expectante por se tratar de comprometimento leve e paciente clinicamente estável: repetir radiografia após 24h e tratamento sintomático da dor e tosse.

Pérola Clínica

Dor torácica súbita + dispneia + hipofonese MV + FTV ↓ em asmático → Pneumotórax espontâneo.

Resumo-Chave

O quadro de dor torácica súbita e dispneia em paciente jovem, especialmente com história de asma, associado a achados de hipofonese de murmúrio vesicular e FTV diminuído, é altamente sugestivo de pneumotórax. A estabilidade clínica e o comprometimento leve na radiografia permitem conduta expectante.

Contexto Educacional

O pneumotórax espontâneo é a presença de ar no espaço pleural sem trauma prévio, resultando em colapso parcial ou total do pulmão. Pode ser primário (sem doença pulmonar subjacente aparente) ou secundário (associado a doenças como DPOC, asma, fibrose cística). A dor torácica súbita e a dispneia são os sintomas mais comuns. Em pacientes jovens, magros e fumantes, é mais comum o pneumotórax espontâneo primário. O diagnóstico é suspeitado clinicamente pela dor torácica súbita, dispneia e achados ao exame físico como hipofonese do murmúrio vesicular, diminuição do frêmito tóraco-vocal (FTV) e, por vezes, hipertimpanismo à percussão no lado afetado. A radiografia de tórax é o exame confirmatório, mostrando a linha da pleura visceral e a ausência de parênquima pulmonar além dela. A saturação de oxigênio pode estar normal ou discretamente reduzida em casos leves. A conduta para o pneumotórax espontâneo depende do tamanho do pneumotórax e da estabilidade clínica do paciente. Em casos de pneumotórax pequeno (geralmente < 2-3 cm do ápice à parede torácica) e paciente clinicamente estável (sem dispneia grave, taquicardia ou hipotensão), a conduta pode ser expectante. Isso envolve repouso, analgesia, observação e repetição da radiografia de tórax em 24 horas para avaliar a reabsorção. Drenagem torácica é reservada para pneumotórax maiores, sintomáticos ou em pacientes instáveis.

Perguntas Frequentes

Quais os sintomas de pneumotórax espontâneo?

Os sintomas clássicos incluem dor torácica súbita e pleurítica, geralmente unilateral, e dispneia de início agudo, que pode variar de leve a grave dependendo do tamanho do pneumotórax.

Como é feito o diagnóstico de pneumotórax?

O diagnóstico é feito pela combinação de história clínica (dor súbita, dispneia), exame físico (hipofonese de murmúrio vesicular, FTV diminuído, hipertimpanismo) e confirmado por radiografia de tórax, que mostra a linha da pleura visceral e ausência de trama vascular distal a ela.

Qual a conduta para pneumotórax espontâneo leve e estável?

Em pacientes clinicamente estáveis com pneumotórax espontâneo primário pequeno (geralmente < 2-3 cm do ápice à parede torácica), a conduta pode ser expectante, com repouso, analgesia e acompanhamento radiográfico em 24 horas.

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