USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020
Homem, 18 anos, procura atendimento médico por dor pleurítica súbita à direita e dispneia aos moderados/grandes esforços. Não há antecedentes pessoais de comorbidades e não é tabagista. Ao exame físico, saturação 92% em ar ambiente, afebril, FC = 90 bpm e PA = 118 x 82 mmHg. Hipertimpanismo à percursão e ausência de murmúrio vesicular à direita. Uma radiografia de tórax é solicitada (figura). Qual o diagnóstico e conduta adequados?
Pneumotórax extenso + instabilidade (Sat 92%) → drenagem pleural tubular.
O paciente apresenta sinais clínicos e radiológicos de pneumotórax extenso (colapso pulmonar completo) com hipoxemia (saturação 92%), indicando a necessidade de drenagem pleural tubular imediata. A ausência de sinais de choque ou desvio de mediastino afasta o pneumotórax hipertensivo.
O pneumotórax é a presença de ar no espaço pleural, resultando em colapso pulmonar parcial ou total. O pneumotórax espontâneo primário é mais comum em homens jovens, altos e magros, frequentemente tabagistas, sem doença pulmonar subjacente. A importância clínica reside na sua potencial gravidade, podendo evoluir para insuficiência respiratória e até pneumotórax hipertensivo. A fisiopatologia envolve a ruptura de bolhas subpleurais (blebs) ou bolhas apicais, permitindo a entrada de ar no espaço pleural. O diagnóstico é feito pela história clínica de dor pleurítica súbita e dispneia, exame físico com hipertimpanismo e ausência de murmúrio vesicular, e confirmado por radiografia de tórax. O caso descrito, com colapso pulmonar completo e hipoxemia (saturação 92%), indica um pneumotórax extenso que compromete a função respiratória. A conduta para pneumotórax depende do seu tamanho e da estabilidade clínica do paciente. Pneumotórax pequenos e assintomáticos podem ser apenas observados. No entanto, pneumotórax extensos ou sintomáticos, como o do caso, requerem drenagem pleural tubular para reexpandir o pulmão e aliviar os sintomas. A investigação com tomografia de tórax pode ser útil após a drenagem para identificar a causa subjacente e planejar a prevenção de recorrências.
Clinicamente, o paciente pode apresentar dor pleurítica súbita, dispneia, taquipneia, hipertimpanismo à percussão e ausência de murmúrio vesicular no lado afetado. Radiologicamente, observa-se a linha da pleura visceral separada da parede torácica e ausência de trama vascular além dessa linha, com colapso pulmonar significativo.
Ambos são graves, mas o hipertensivo é uma emergência médica que causa desvio do mediastino, compressão de vasos e instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia, choque), exigindo descompressão imediata. O extenso pode não ter instabilidade hemodinâmica inicial, mas ainda requer drenagem.
A drenagem pleural tubular é indicada para pneumotórax extenso (colapso > 20-30% ou > 2-3 cm no ápice), pneumotórax sintomático com dispneia significativa, ou em pacientes com insuficiência respiratória, como o caso descrito com saturação de 92%.
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