HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2023
Homem, 40 anos de idade, vítima de ferimento por arma branca em hemitórax direito, é trazido pelo SAMU para a emergência. Dados da cena: frequência cardíaca 130bpm, pressão arterial 80x50mmHg, saturação de oxigénio 88% em ar ambiente, escala de coma de Glasgow 15. Intervalo de tempo 30 minutos. Apresenta vias aéreas pérvias com colar cervical, saturação de oxigênio 88% em ar ambiente, subindo para 90% com máscara de oxigênio 12L/min, sem desvio de traqueia e sem turgência jugular. Expansibilidade torácica diminuída à direita, com murmúrios vesiculares diminuídos à direita e hipertimpanismo à percussão em hemitórax direito. Frequência respiratória 22irpm, pressão arterial 70x50mmHg e frequência cardíaca 140bpm. Abdome plano, flácido e indolor. Pelve estável, toque retal sem alterações. Escala de coma de Glasgow 15, pupilas isocóricas e fotorreagentes. Sem dor na coluna vertebral. Presença de ferimento de 8cm em hemitórax direito, em terceiro/quarto espaços intercostais, sem sangramento ativo, com exposição de estruturas profundas conforme imagem a seguir. A sequência de tratamento inicial para esse paciente deve ser respectivamente:
Ferimento torácico penetrante + murmúrios ↓ + hipertimpanismo + choque → Pneumotórax aberto → Curativo 3 pontas + Drenagem de tórax.
O paciente apresenta sinais clássicos de pneumotórax aberto (ferimento torácico penetrante, diminuição de murmúrios vesiculares, hipertimpanismo, taquicardia e hipotensão). A conduta inicial para um pneumotórax aberto é o curativo oclusivo de três pontas, seguido pela drenagem de tórax em selo d'água em outro sítio, para permitir a saída de ar e evitar o pneumotórax hipertensivo.
O trauma torácico penetrante, como o ferimento por arma branca, pode levar a condições de risco iminente à vida, sendo o pneumotórax aberto uma das mais urgentes. Esta condição ocorre quando há uma comunicação direta entre o ambiente externo e o espaço pleural através de um ferimento na parede torácica, permitindo a entrada e saída de ar e comprometendo a ventilação. Os sinais clássicos incluem dispneia, taquicardia, hipotensão, murmúrios vesiculares diminuídos e hipertimpanismo à percussão no lado afetado. A conduta inicial, conforme preconizado pelo ATLS (Advanced Trauma Life Support), é crucial para a sobrevida do paciente. O primeiro passo é o fechamento do ferimento com um curativo oclusivo de três pontas. Este curativo age como uma válvula unidirecional, permitindo que o ar saia do espaço pleural durante a expiração, mas impedindo sua entrada durante a inspiração. Isso evita a progressão para um pneumotórax hipertensivo, uma complicação grave e fatal. Após a aplicação do curativo de três pontas e a estabilização inicial, a drenagem torácica com dreno tubular em selo d'água é o próximo passo essencial. O dreno deve ser inserido em um sítio diferente do ferimento original para garantir a eficácia da drenagem e evitar infecções. É um erro comum fechar o ferimento completamente com um curativo de quatro pontas, pois isso pode aprisionar o ar no espaço pleural e rapidamente levar a um pneumotórax hipertensivo, uma emergência que exige descompressão imediata.
Um pneumotórax aberto é caracterizado por um ferimento penetrante na parede torácica que permite a comunicação direta entre o espaço pleural e o ambiente externo, resultando em dificuldade respiratória, dor, murmúrios vesiculares diminuídos e, em casos graves, choque.
O curativo de três pontas (ou curativo valvulado) permite que o ar saia do espaço pleural durante a expiração, mas impede sua entrada durante a inspiração, transformando o pneumotórax aberto em um pneumotórax simples e prevenindo a evolução para um pneumotórax hipertensivo.
Após a aplicação do curativo de três pontas e a estabilização inicial, a drenagem torácica com dreno tubular em selo d'água deve ser realizada em outro sítio (geralmente no 5º espaço intercostal, linha axilar média) para evacuar o ar e/ou sangue do espaço pleural e restabelecer a pressão negativa.
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