Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2024
Uma mulher de 33 anos apresenta um ferimento de arma branca no lado direito do tórax (3o espaço intercostal com linha axilar anterior) com presença de traumatopneia. Seus sinais vitais iniciais incluem frequência cardíaca de 102 bpm, frequência respiratória de 26 mrpm, pressão arterial de 112/73 mmHg e saturação de oxigênio de 89% em ar ambiente. No exame torácico, ausência de murmúrio vesicular à direita. Ausência de desvio de traqueia ou estase jugular. Qual é o próximo passo mais apropriado no manejo dessa paciente na etapa B do atendimento inicial ao traumatizado, de acordo com os preceitos do ATLS™?
Traumatopneia + ausência de murmúrio vesicular unilateral → pneumotórax aberto = curativo oclusivo de três pontas.
A traumatopneia indica um pneumotórax aberto, uma condição que exige oclusão imediata do ferimento com um curativo de três pontas para permitir a saída de ar e prevenir o pneumotórax hipertensivo.
O traumatismo torácico é uma causa significativa de morbidade e mortalidade, e o pneumotórax aberto é uma das lesões potencialmente fatais que requer reconhecimento e manejo imediatos no atendimento inicial ao traumatizado, conforme preconizado pelo ATLS™ (Advanced Trauma Life Support). O pneumotórax aberto ocorre quando há uma comunicação direta entre o espaço pleural e o ambiente externo através de um ferimento na parede torácica, permitindo a entrada e saída de ar. A "traumatopneia", o som da passagem de ar pelo ferimento, é um sinal clínico característico. A ausência de murmúrio vesicular no lado afetado e a hipóxia são achados comuns. Se o ferimento for maior que dois terços do diâmetro da traqueia, o ar tende a entrar preferencialmente pelo ferimento em vez da via aérea normal, comprometendo a ventilação. O manejo inicial, na etapa B (Breathing) do ATLS™, consiste em ocluir o ferimento com um curativo estéril, não oclusivo em quatro lados, mas sim em três lados (curativo de três pontas). Isso cria uma válvula unidirecional que permite a saída de ar do espaço pleural durante a expiração, mas impede a entrada de ar atmosférico durante a inspiração, evitando o desenvolvimento de um pneumotórax hipertensivo. Após a oclusão, a descompressão definitiva do pneumotórax é realizada com a inserção de um dreno torácico.
Traumatopneia é a passagem audível de ar através de um ferimento na parede torácica durante a respiração. É um sinal patognomônico de pneumotórax aberto e indica a necessidade de intervenção imediata.
O curativo de três pontas sela o ferimento durante a inspiração, impedindo a entrada de ar atmosférico, mas permite a saída de ar do espaço pleural durante a expiração, prevenindo o desenvolvimento de um pneumotórax hipertensivo.
Ocluir completamente o ferimento (quatro pontas) pode aprisionar o ar no espaço pleural, levando ao acúmulo progressivo de pressão e ao desenvolvimento de um pneumotórax hipertensivo, que é uma emergência médica grave.
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