Pneumoperitônio em Videolaparoscopia: Fundamentos e Técnica

SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2022

Enunciado

Na imagem apresentada, observa-se um insuflador de videolaparoscopia. A respeito do funcionamento desse equipamento e da obtenção de pneumoperitônio para videolaparoscopia, é correto afirmar que o (a)

Alternativas

  1. A) primeiro número do insuflador (15) refere-se à pressão do gás no sistema. Ao estabelecer o pneumoperitônio por punção com agulha de Veress, uma das maneiras de se identificar a presença intraperitoneal da agulha é a baixa pressão inicial, quando se inicia a insuflação, devendo ser esta entre 12 mmHg el5 mmHg.
  2. B) arritmia mais comum ao se realizar pneumoperitônio é a fibrilação atrial, por causa da estimulação simpática secundária à diminuição do retomo venoso.
  3. C) segundo número do insuflador (10) refere-se ao fluxo de gás no sistema. A insuflação deve ser lenta no início, entre 1 L/min e 2 L/min, a fim de evitar distensão súbita da cavidade abdominal e estimulação vagai. Após o momento inicial, o fluxo da insuflação pode ser até >10 L/min.
  4. D) último número do insuflador (00.0) refere-se ao volume total de gás utilizado, em litros. O gás preferencialmente utilizado em videolaparoscopia deve ser o ar comprimido. Não devendo ser utilizado o oxigênio (02), gás carbônico (CO2) ou nitrogênio (N2).
  5. E) técnica de Hasson consiste na obtenção do pneumoperitônio por meio da punção às cegas da cavidade abdominal com agulha de Veress.

Pérola Clínica

Insuflação inicial lenta (1-2 L/min) com CO2 para pneumoperitônio → evitar estimulação vagal e distensão súbita.

Resumo-Chave

A insuflação de CO2 para criar o pneumoperitônio na videolaparoscopia deve ser iniciada com um fluxo baixo para permitir a adaptação do peritônio e evitar a estimulação vagal, que pode levar a bradicardia. O CO2 é o gás de escolha devido à sua rápida absorção.

Contexto Educacional

A videolaparoscopia revolucionou a cirurgia, permitindo procedimentos minimamente invasivos. Um componente essencial dessa técnica é o pneumoperitônio, a criação de um espaço de trabalho na cavidade abdominal pela insuflação de gás. O insuflador é o equipamento responsável por controlar a pressão e o fluxo do gás, garantindo a segurança e eficácia do procedimento. A fisiopatologia do pneumoperitônio envolve efeitos sistêmicos, como alterações cardiovasculares (aumento da pós-carga, diminuição do retorno venoso) e respiratórias (aumento da pressão intratorácica, hipercapnia). A técnica de obtenção do pneumoperitônio pode ser fechada (agulha de Veress) ou aberta (técnica de Hasson), cada uma com suas indicações e riscos. A insuflação inicial deve ser lenta para evitar a distensão súbita do peritônio e a consequente estimulação vagal, que pode levar a bradicardia. O gás carbônico (CO2) é o preferencial para o pneumoperitônio devido à sua alta solubilidade no sangue, o que minimiza o risco de embolia gasosa e permite sua fácil eliminação pelos pulmões. A monitorização contínua da pressão intra-abdominal, do fluxo de gás e dos parâmetros fisiológicos do paciente é crucial para prevenir e manejar complicações, garantindo um procedimento seguro.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do fluxo de gás na insuflação do pneumoperitônio?

O fluxo de gás é crucial para a segurança. A insuflação inicial deve ser lenta (1-2 L/min) para permitir a adaptação do peritônio, confirmar a posição da agulha de Veress e evitar distensão súbita que pode causar dor e estimulação vagal. Após a confirmação, o fluxo pode ser aumentado para acelerar a formação do pneumoperitônio.

Por que o gás carbônico (CO2) é o preferido para o pneumoperitônio?

O CO2 é o gás preferencial devido à sua alta solubilidade no sangue. Em caso de embolia gasosa, o CO2 é rapidamente absorvido e eliminado pelos pulmões, minimizando os riscos em comparação com outros gases como ar ou nitrogênio, que são menos solúveis e mais perigosos.

Quais são as principais complicações do pneumoperitônio e como preveni-las?

As complicações incluem bradicardia (por estimulação vagal), hipotensão, hipercapnia, acidose respiratória e embolia gasosa. A prevenção envolve insuflação lenta, monitorização contínua dos sinais vitais e EtCO2, e manutenção da pressão intra-abdominal em níveis seguros (geralmente 12-15 mmHg).

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