HC ICC - Hospital do Câncer - Instituto do Câncer do Ceará — Prova 2025
Com relação à cirurgia videolaparoscópica, é correto afirmar.
Pneumoperitônio → ↑ Pressão intra-abdominal → ↑ RVS + Ativação do SRAA.
O pneumoperitônio induz alterações neuro-hormonais significativas, incluindo a ativação do SRAA devido à redução do fluxo sanguíneo renal.
A cirurgia videolaparoscópica utiliza o pneumoperitônio (geralmente com CO2) para criar espaço de trabalho. Essa pressão intra-abdominal elevada (habitualmente entre 12-15 mmHg) desencadeia uma série de respostas fisiológicas. A ativação do Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona (SRAA) e a liberação de vasopressina (ADH) são respostas endócrinas marcantes à redução da perfusão renal e esplâncnica. Além das alterações hormonais, o cirurgião deve estar atento às repercussões hemodinâmicas, como o aumento da pós-carga e a potencial bradicardia reflexa por estimulação vagal durante a insuflação. Embora menos invasiva em termos de trauma tecidual, a laparoscopia impõe desafios fisiológicos únicos que exigem monitorização cuidadosa do paciente.
A insuflação abdominal aumenta a pressão intra-abdominal, o que eleva a resistência vascular sistêmica (RVS) e pode diminuir o retorno venoso por compressão da veia cava inferior. Isso pode levar a uma redução do débito cardíaco, especialmente em pacientes hipovolêmicos ou com reserva cardíaca limitada. Além disso, a absorção de CO2 pode causar hipercapnia e acidose respiratória.
A pressão exercida pelo pneumoperitônio sobre o parênquima renal e a vasculatura renal reduz o fluxo sanguíneo renal e a taxa de filtração glomerular. Essa redução da perfusão renal é o estímulo primário para a liberação de renina pelas células justaglomerulares, ativando a cascata da angiotensina e aldosterona, resultando em retenção de sódio e água no pós-operatório imediato.
O aumento da pressão abdominal desloca o diafragma cefalicamente, reduzindo a complacência pulmonar e a capacidade residual funcional. Isso favorece a formação de atelectasias nas bases pulmonares e aumenta o espaço morto. O anestesiologista precisa ajustar a ventilação para compensar a absorção de CO2 e as pressões de via aérea mais elevadas.
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