UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2023
Sobre as alterações sistêmicas e metabólicas durante a cirurgia laparoscópica, é correto afirmar que:
Pneumoperitônio com CO2 é padrão, mas outros gases (Hélio, N2O, Ar, Argônio) são tecnicamente possíveis.
A cirurgia laparoscópica induz alterações fisiológicas significativas devido ao pneumoperitônio e à absorção de CO2. Embora o CO2 seja o gás mais utilizado para o pneumoperitônio, outros gases como Hélio, Óxido Nitroso, Ar ambiente e Argônio podem ser empregados, cada um com suas vantagens e desvantagens específicas.
A cirurgia laparoscópica revolucionou diversas especialidades cirúrgicas, mas impõe desafios fisiológicos únicos devido à criação do pneumoperitônio. O pneumoperitônio, geralmente induzido com dióxido de carbono (CO2), eleva a pressão intra-abdominal, o que afeta os sistemas cardiovascular, respiratório e renal. A absorção de CO2 pode levar à hipercarbia e acidose respiratória, com consequências como aumento do fluxo sanguíneo cerebral e da pressão intracraniana, e potencial para arritmias cardíacas. Embora o CO2 seja o gás de escolha devido à sua segurança e rápida eliminação, outros gases como Hélio, Óxido Nitroso, Ar ambiente e Argônio podem ser utilizados em situações específicas, cada um com um perfil de risco e benefício distinto. Por exemplo, o Hélio é menos solúvel, reduzindo o risco de hipercarbia, mas aumenta o risco de embolia gasosa e é mais caro. O óxido nitroso é inflamável e pode expandir alças intestinais. É fundamental que o cirurgião e o anestesiologista compreendam essas alterações para otimizar o manejo intraoperatório, monitorar adequadamente o paciente e prevenir complicações. A manutenção de pressões intra-abdominais seguras (geralmente entre 10-15 mmHg) e a ventilação controlada são essenciais para mitigar os efeitos adversos do pneumoperitônio.
O pneumoperitônio pode causar aumento da resistência vascular sistêmica, diminuição do retorno venoso e do débito cardíaco, além de arritmias devido à estimulação vagal e hipercarbia. A monitorização hemodinâmica é crucial.
O CO2 é preferido por ser incolor, não inflamável, facilmente absorvido e eliminado pelos pulmões, além de ser relativamente barato. Sua rápida absorção minimiza o risco de embolia gasosa grave em comparação com gases menos solúveis.
A hipercarbia (aumento do CO2 sanguíneo) causa vasodilatação cerebral, levando a um aumento do fluxo sanguíneo cerebral e, consequentemente, a um aumento da pressão intracraniana, o que é uma preocupação em pacientes com patologias cerebrais preexistentes.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo