UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026
A confecção do pneumoperitôneo é uma etapa fundamental na realização dos procedimentos minimamente invasivos abdominais. No entanto, o aumento da pressão abdominal decorrente de sua instalação resulta em várias alterações em diversos órgãos e sistemas, como redução:
↑ Pressão abdominal → compressão da VCI → ↓ Retorno venoso e ↓ Débito cardíaco.
A insuflação de CO2 aumenta a pressão intra-abdominal, comprimindo a veia cava inferior e o leito esplâncnico, o que reduz o retorno venoso e pode comprometer o débito cardíaco.
A criação do pneumoperitôneo é essencial para o espaço de trabalho na videolaparoscopia, mas impõe desafios fisiológicos significativos. A insuflação de dióxido de carbono (CO2) gera um estado de estresse hemodinâmico caracterizado por alterações na pré-carga e pós-carga. A redução do retorno venoso é o efeito mais marcante, decorrente da compressão direta dos grandes vasos abdominais. Simultaneamente, a absorção de CO2 e a resposta neuroendócrina ao estresse cirúrgico elevam as catecolaminas, aumentando a frequência cardíaca e a pressão arterial. O anestesiologista e o cirurgião devem monitorar atentamente essas mudanças, especialmente em pacientes cardiopatas ou pneumopatas, ajustando os parâmetros ventilatórios e a pressão de insuflação para minimizar riscos perioperatórios.
O aumento da pressão intra-abdominal (geralmente mantida entre 12-15 mmHg) causa compressão mecânica da veia cava inferior e dos vasos portais, reduzindo o retorno venoso (pré-carga). Além disso, há um aumento da resistência vascular sistêmica (pós-carga) devido à liberação de catecolaminas e vasopressina, o que pode levar à redução do débito cardíaco em pacientes com reserva limitada.
A pressão abdominal elevada desloca o diafragma cefalicamente, reduzindo a complacência pulmonar e a capacidade residual funcional. Isso resulta em aumento das pressões de pico e de platô nas vias aéreas, além de favorecer a formação de atelectasias e alterações na relação ventilação-perfusão.
O CO2 é utilizado por ser altamente solúvel e não combustível. Ele é absorvido através do peritônio para a circulação sistêmica, podendo causar hipercapnia e acidose respiratória. O organismo compensa através do aumento da ventilação minuto, mas em pacientes com DPOC, essa compensação pode ser insuficiente.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo