Nitrofurantoína e Toxicidade Pulmonar: Diagnóstico e Conduta

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 75 anos iniciou há 1 mês quadro de dispneia e tosse seca. AP: asma, em uso de formoterol/budesonida 12/400 mcg de 12/12 horas; infecções urinárias de repetição, em uso de nitrofurantoína 100 mg/dia há 3 meses. EF: eupneica, FR: 20 irpm, SatO2: 94%, ausculta pulmonar com crepitações finas no terço médio posterior direito. A conduta é:

Alternativas

  1. A) Step up com aumento do corticoide inalatório e solicitar hemograma e dosagem de IgE.
  2. B) Solicitar espirometria pré e pós-broncodilatador.
  3. C) Associar anticolinérgico de longa duração.
  4. D) Solicitar TC de tórax sem contraste de alta resolução e suspender a nitrofurantoína.

Pérola Clínica

Dispneia + Tosse seca + Uso crônico de Nitrofurantoína → Suspeitar de Pneumonite Intersticial.

Resumo-Chave

A nitrofurantoína é uma causa clássica de doença pulmonar intersticial induzida por drogas; a suspensão imediata do fármaco e a investigação com TC de alta resolução são os passos iniciais.

Contexto Educacional

A nitrofurantoína é amplamente utilizada para profilaxia de infecções do trato urinário recorrentes, mas seu potencial de toxicidade pulmonar é frequentemente subestimado. O mecanismo envolve tanto dano oxidativo direto quanto reações imunológicas. Em pacientes idosos, que frequentemente possuem múltiplas comorbidades respiratórias, a diferenciação entre uma exacerbação de doença pré-existente (como asma ou DPOC) e a toxicidade medicamentosa exige alto índice de suspeição clínica. A presença de crepitações finas ('velcro') e a história de uso prolongado do antisséptico urinário devem direcionar imediatamente para a investigação de doença intersticial.

Perguntas Frequentes

Como se manifesta a toxicidade pulmonar pela nitrofurantoína?

A toxicidade pode ser aguda ou crônica. A forma aguda é uma reação de hipersensibilidade que ocorre dias após o início do uso, apresentando febre, dispneia, tosse e eosinofilia. A forma crônica, mais comum em idosos em profilaxia para ITU, manifesta-se insidiosamente com dispneia progressiva e tosse seca, podendo evoluir para fibrose pulmonar irreversível se a droga não for suspensa precocemente.

Quais os achados radiológicos típicos na TC de tórax?

Na tomografia computadorizada de alta resolução (TCAR), os achados variam conforme a fase da doença. Podem ser observados opacidades em vidro fosco, espessamento de septos interlobulares e, em casos crônicos, áreas de reticulação e faveolamento, predominando nas bases pulmonares. O padrão pode mimetizar uma pneumonia intersticial comum (PIC) ou pneumonia intersticial não específica (PINE).

A suspensão da droga é suficiente para o tratamento?

Na maioria dos casos, a suspensão da nitrofurantoína leva à melhora clínica e radiológica significativa, especialmente se detectada precocemente. Em casos graves ou com hipoxemia importante, o uso de corticosteroides sistêmicos pode ser necessário para acelerar a recuperação e reduzir a inflamação intersticial, mas a interrupção definitiva da exposição ao fármaco é a medida mais importante.

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