USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023
Homem de 50 anos, portador de melanoma metastático para pulmão, fígado e linfonodos, procura atendimento por quadro de 1 semana de dispneia progressiva e tosse; sem febre. Relata estar em uso de imunoterapia com anticorpo monoclonal anti-PDL-1 há cerca de 3 meses, tendo feito a última aplicação há 2 semanas. Ao exame clínico, o paciente apresenta-se taquidispneico, com frequência cardíaca 117 bpm, pressão arterial 110x60 mmHg, frequência respiratória de 32 irpm, saturação de oxigênio em ar ambiente de 85%.Tomografia computadorizada de tórax apresentada. Além da oferta de oxigênio suplementar, qual é a conduta para o caso?
Pneumonite por imunoterapia anti-PDL-1 com hipoxemia grave → Internação UTI, corticoterapia alta dose, pesquisa viral.
Pacientes em imunoterapia podem desenvolver toxicidades imunomediadas graves, como a pneumonite. A dispneia e hipoxemia progressivas exigem reconhecimento rápido e tratamento agressivo com corticoterapia em altas doses, muitas vezes em UTI, após exclusão de outras causas como infecções.
A pneumonite é uma das toxicidades imunomediadas mais sérias associadas aos inibidores de checkpoint imunológico (ICI), como os anti-PDL-1. Sua incidência varia, mas pode ser fatal se não reconhecida e tratada precocemente. É fundamental para residentes e oncologistas estarem cientes dessa complicação. A fisiopatologia envolve a ativação excessiva do sistema imune contra tecidos pulmonares. O diagnóstico é de exclusão, requerendo a diferenciação de infecções e progressão da doença. A TC de tórax pode mostrar infiltrados variados. A suspeita clínica em pacientes em uso de ICI com sintomas respiratórios é crucial. O tratamento depende da gravidade. Casos leves podem ser manejados com corticoterapia oral, mas casos moderados a graves (como o do enunciado, com hipoxemia significativa) exigem internação, oxigenoterapia e corticoterapia em altas doses (geralmente metilprednisolona IV), com desmame lento. A reintrodução da imunoterapia deve ser cuidadosamente avaliada.
Dispneia progressiva, tosse seca, febre baixa e hipoxemia são sinais comuns. A gravidade varia, mas a progressão rápida exige atenção e investigação imediata.
Oferta de oxigênio suplementar, internação em UTI, corticoterapia em alta dose (ex: metilprednisolona 1-2 mg/kg/dia ou pulsoterapia) e pesquisa de causas infecciosas para exclusão.
A exclusão de infecções (virais, bacterianas, fúngicas) é crucial através de exames laboratoriais e de imagem. A história de imunoterapia e a resposta à corticoterapia podem auxiliar no diagnóstico diferencial.
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