SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Mulher, 30 anos de idade, com diagnóstico de lúpus eritematoso sistêmico há 5 anos, comparece ao ambulatório de reumatologia com queixa de dispneia progressiva há 2 meses, acompanhada de dor torácica pleurítica e tosse seca. Relata episódios intermitentes de febre baixa e fadiga. Ao exame físico, apresenta murmúrios vesiculares diminuídos nos campos pulmonares inferiores e leve taquipneia. A radiografia de tórax revela opacidades bilaterais difusas. Os exames laboratoriais mostram proteína C-reativa e velocidade de hemossedimentação elevadas e baixos níveis de complemento. A paciente está em tratamento com hidroxicloroquina e prednisona em doses baixas.\n\nIndique o diagnóstico mais provável para o quadro clínico apresentado pela paciente:
LES + Dispneia + Febre + Infiltrado bilateral + ↓Complemento → Pneumonite Lúpica (após excluir infecção).
A pneumonite lúpica aguda é uma manifestação grave e rara do LES, caracterizada por inflamação alveolar que mimetiza pneumonia infecciosa, exigindo imunossupressão agressiva.
O envolvimento pulmonar no LES é comum, sendo a pleurite a manifestação mais frequente. No entanto, a pneumonite lúpica aguda representa uma emergência reumatológica com alta mortalidade. Ela se caracteriza por dano alveolar difuso e inflamação microvascular. O diagnóstico é clínico-radiológico e de exclusão, sendo fundamental monitorar marcadores de atividade inflamatória e o consumo de frações do complemento (C3 e C4) para guiar a suspeita clínica.
A diferenciação é desafiadora. A pneumonite lúpica geralmente ocorre em vigência de atividade sistêmica da doença (queda de complemento, aumento de anti-dsDNA). Culturas negativas, ausência de resposta a antibióticos e melhora rápida com corticoterapia reforçam o diagnóstico de pneumonite, mas a exclusão de infecção é sempre mandatória.
A radiografia e a TC de tórax costumam mostrar opacidades alveolares ou intersticiais bilaterais, frequentemente nas bases pulmonares, podendo estar associadas a derrame pleural (serosite). Em casos graves, pode haver evolução para hemorragia alveolar difusa.
O tratamento baseia-se em doses elevadas de corticosteroides (metilprednisolona 1g/dia por 3 dias - pulsoterapia), seguidas de manutenção com prednisona oral. Em casos refratários ou graves, agentes imunossupressores como ciclofosfomida ou rituximabe podem ser necessários.
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