Pneumonite de Hipersensibilidade: Diagnóstico e Manejo

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 25 anos de idade, previamente hígida, comparece ao ambulatório por dispneia aos moderados esforços, iniciada há dois anos. Ela refere episódios recorrentes de febre, mialgia, sibilos e piora da dispneia basal, que ocorrem sempre que ela volta de viagem da fazenda de seus pais. Nega tabagismo ou exposição a outras drogas. Ao exame físico, está eupneica e com estertores finos em bases bilateralmente. Apresentou tomografia de tórax sem contraste (imagem a seguir), realizada há três semanas, durante um dos episódios de piora respiratória. Qual é o tratamento que deve ser recomendado neste momento?

Alternativas

  1. A) Evitar exposição a antígenos e prescrição de prednisona 0,5mg/kg/dia.
  2. B) Indicar o uso de formoterol e budesonida 12/400mcg, duas vezes por dia.
  3. C) Administrar anfotericina B lipossomal 5mg/kg/dia, por duas semanas.
  4. D) Iniciar uso oral de nintedanibe 150mg, duas vezes por dia.

Pérola Clínica

Exposição recorrente + Sintomas gripais/dispneia + Vidro fosco na TC → Pneumonite de Hipersensibilidade.

Resumo-Chave

A base do tratamento da pneumonite de hipersensibilidade é a cessação da exposição ao antígeno causal, associada a corticosteroides em casos sintomáticos ou com declínio funcional.

Contexto Educacional

A pneumonite de hipersensibilidade (PH) é uma síndrome complexa que envolve hipersensibilidade tipo III (imunocomplexos) e tipo IV (celular). O quadro clínico clássico apresenta-se como episódios de febre, tosse e dispneia horas após a exposição a poeiras orgânicas, como no 'pulmão do fazendeiro' (exposição a actinomicetos termofílicos no feno mofado). O diagnóstico baseia-se na história clínica de exposição, achados tomográficos compatíveis e, por vezes, lavado broncoalveolar com linfocitose acentuada. No caso da paciente de 25 anos, a recorrência dos sintomas ao visitar a fazenda e a TC com vidro fosco sugerem PH subaguda. O tratamento envolve o controle da inflamação com prednisona (geralmente 0,5 mg/kg/dia) e a remoção rigorosa da fonte de antígenos para prevenir a evolução para a forma fibrótica crônica, que teria prognóstico muito reservado.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a pneumonite de hipersensibilidade?

É uma doença imunomediada dos pulmões resultante da inalação repetida de antígenos ambientais (fungos, bactérias, proteínas animais) em indivíduos suscetíveis. Caracteriza-se por inflamação granulomatosa dos bronquíolos e alvéolos.

Quais os achados típicos na tomografia de tórax?

Na fase aguda/subaguda, observam-se opacidades em vidro fosco, nódulos centrolobulares mal definidos e áreas de aprisionamento aéreo (padrão em mosaico). Na fase crônica, predominam sinais de fibrose pulmonar.

Qual a importância do afastamento do antígeno?

O afastamento é a medida terapêutica mais eficaz e mandatória. Sem a interrupção da exposição, a doença pode progredir para fibrose pulmonar irreversível e insuficiência respiratória, independentemente do uso de medicações imunossupressoras.

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