HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2023
Mulher de 25 anos de idade, previamente hígida, comparece ao ambulatório por dispneia aos moderados esforços, iniciada há dois anos. Ela refere episódios recorrentes de febre, mialgia, sibilos e piora da dispneia basal, que ocorrem sempre que ela volta de viagem da fazenda de seus pais. Nega tabagismo ou exposição a outras drogas. Ao exame físico, está eupneica e com estertores finos em bases bilateralmente. Apresentou tomografia de tórax sem contraste (imagem a seguir), realizada há três semanas, durante um dos episódios de piora respiratória. Qual é o diagnóstico?
Dispneia, febre, sibilos recorrentes + exposição ambiental (fazenda) = Pneumonite de Hipersensibilidade.
O quadro de dispneia progressiva, episódios recorrentes de febre, mialgia e sibilos, associado à exposição ambiental específica (fazenda), é altamente sugestivo de pneumonite de hipersensibilidade (alveolite alérgica extrínseca), uma doença pulmonar intersticial causada pela inalação de antígenos orgânicos.
A pneumonite de hipersensibilidade (PH), também conhecida como alveolite alérgica extrínseca, é uma doença pulmonar intersticial causada por uma resposta imunológica exagerada a antígenos inalados, geralmente orgânicos. É uma condição importante na medicina respiratória, com uma epidemiologia variável dependendo da exposição ambiental e ocupacional, sendo comum em trabalhadores rurais ("pulmão de fazendeiro") ou em contato com aves. A fisiopatologia envolve uma reação de hipersensibilidade tipo III e IV, levando à inflamação dos alvéolos e bronquíolos terminais. O diagnóstico é baseado na tríade: exposição a um antígeno conhecido, sintomas compatíveis (dispneia, tosse, febre, mialgia, sibilos) e achados radiológicos e/ou funcionais pulmonares. A história de piora dos sintomas após a exposição (como retornar à fazenda) é um forte indicativo. A tomografia de tórax de alta resolução (TCAR) é essencial para identificar padrões característicos. O tratamento primário consiste na remoção da exposição ao antígeno causador. Corticosteroides sistêmicos são frequentemente utilizados para controlar a inflamação, especialmente em casos agudos ou subagudos. O prognóstico varia; a remoção precoce da exposição pode levar à recuperação completa, mas a exposição contínua pode resultar em fibrose pulmonar irreversível.
Os sintomas incluem dispneia, tosse, febre, calafrios, mialgia e fadiga, que podem ser agudos, subagudos ou crônicos, frequentemente relacionados à exposição a um antígeno.
A história de exposição a antígenos orgânicos (ex: aves, mofo, feno) é crucial, pois a doença é uma reação imunológica a essas substâncias, sendo a remoção da exposição fundamental para o tratamento.
A TC de tórax pode revelar achados como opacidades em vidro fosco, nódulos centrolobulares, aprisionamento aéreo e, em fases crônicas, fibrose e faveolamento, que são sugestivos da doença.
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