SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2023
Um lactente de 1 mês e 15 dias é levado à emergência com quadro de febre, coriza e tosse há cinco dias. Hoje, apresentou cianose e desconforto respiratório. Está com frequência respiratória de 70irpm, saturação arterial de oxigênio de 90% em ar ambiente, tiragem intercostal e subcostal leve e ausculta pulmonar com estertores bolhosos difusos, com tempo de expiração levemente prolongado, tendo sido iniciado tratamento para pneumonia. Em relação ao caso clínico descrito e aos conhecimentos médicos relacionados, julgue o item a seguir.Quando há suspeita de pneumonite afebril do lactente, deve-se prescrever um antibiótico macrolídio.
Lactente 1-3 meses + tosse 'staccato' + eosinofilia + afebril = Pneumonite por Chlamydia.
A pneumonite afebril do lactente, causada principalmente por Chlamydia trachomatis, apresenta-se com tosse persistente e taquipneia, exigindo tratamento obrigatório com macrolídeos.
A pneumonite afebril do lactente é uma síndrome clínica que ocorre tipicamente entre a 2ª e a 19ª semana de vida. A transmissão da Chlamydia trachomatis ocorre no parto vaginal. Clinicamente, o lactente apresenta-se em bom estado geral, sem febre, mas com taquipneia e uma tosse característica descrita como 'em staccato' (tosse seca, em acessos curtos, com pausas inspiratórias). Ao exame físico, podem ser ouvidos estertores finos difusos, mas a sibilância é incomum. Laboratorialmente, a eosinofilia (> 400 células/mm³) é um achado clássico que auxilia no diagnóstico diferencial. O tratamento de escolha é feito com macrolídeos, como a azitromicina (10 mg/kg/dia por 5 dias) ou eritromicina (50 mg/kg/dia por 14 dias). É fundamental também realizar a investigação e o tratamento da mãe e seus parceiros sexuais para prevenir reinfecções e tratar possíveis infecções sexualmente transmissíveis subjacentes.
O agente mais comum é a Chlamydia trachomatis, adquirida verticalmente durante a passagem pelo canal de parto. Outros agentes menos frequentes incluem Mycoplasma hominis, Ureaplasma urealyticum e alguns vírus como o Citomegalovírus (CMV). A infecção ocular prévia (conjuntivite neonatal) está presente em cerca de 50% dos casos.
O raio-X de tórax geralmente revela hiperinsuflação pulmonar e infiltrados intersticiais ou broncopneumônicos bilaterais e difusos. Diferente da pneumonia bacteriana típica (como por S. pneumoniae), raramente apresenta consolidações lobares bem definidas ou derrames pleurais, assemelhando-se mais a um quadro viral.
Sim, o uso de macrolídeos, especialmente a eritromicina, em lactentes com menos de 2 semanas de vida está associado a um risco aumentado de estenose hipertrófica do piloro. No entanto, para a pneumonite por clamídia, o tratamento é mandatório; a azitromicina é frequentemente preferida por ter posologia simplificada e menor associação relatada com essa complicação.
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