UDI Hospital - Hospital UDI São Luís (MA) — Prova 2021
Menina de 5 anos foi encaminhada ao seu consultório por pneumonia recorrente. Os pais relatam que a criança é saudável, entretanto, ela tem sido tratada várias vezes por pneumonia. Os pais negam outras infecções recorrentes. Sua carteira de vacinação está em dia, não faz uso de medicamentos, e tem crescimento e desenvolvimento normais. Os seus episódios prévios de pneumonia foram caracterizados por tosse, de caráter noturno e nas primeiras horas da manhã, e sibilância. Radiografias de tórax realizadas mostram infiltrados multifocais densos. A criança está atualmente assintomática e seu exame físico está sem alterações.Dentre as seguintes, a causa base mais provável para seus episódios prévios de pneumonia é:
Pneumonia recorrente + sibilância + tosse noturna/matinal em criança saudável → suspeitar de Asma.
A asma é uma causa comum de pneumonia recorrente em crianças, especialmente quando há sibilância e tosse de caráter noturno ou nas primeiras horas da manhã. Embora a asma seja uma doença das vias aéreas, a inflamação crônica pode predispor a infecções pulmonares, e os infiltrados podem ser decorrentes de atelectasias ou infecções secundárias. O bom crescimento e desenvolvimento e a ausência de outras infecções afastam imunodeficiências.
Pneumonia recorrente em crianças é um desafio diagnóstico que exige uma investigação abrangente. É definida pela ocorrência de dois ou mais episódios de pneumonia em um ano, ou três ou mais episódios em qualquer período, com evidência radiológica de resolução entre eles. A etiologia é variada e inclui causas infecciosas, imunológicas, anatômicas e inflamatórias. No caso da menina de 5 anos, a presença de tosse de caráter noturno e nas primeiras horas da manhã, sibilância e infiltrados multifocais densos, em uma criança com crescimento e desenvolvimento normais e sem outras infecções recorrentes, aponta fortemente para asma. Embora a asma seja primariamente uma doença inflamatória das vias aéreas, a inflamação crônica e a hipersecreção de muco podem predispor a infecções secundárias ou atelectasias que se manifestam como 'pneumonias'. Outras causas como agamaglobulinemia (imunodeficiência primária), displasia broncopulmonar (sequela de prematuridade), pneumonite intersticial linfocítica (associada a HIV ou doenças autoimunes) e bronquiectasia segmentar (geralmente com tosse produtiva crônica e escarro purulento) são menos prováveis dado o quadro clínico de uma criança 'saudável' com vacinação em dia e sem outras queixas. O tratamento da asma, com broncodilatadores e corticosteroides inalatórios, geralmente resolve os episódios de sibilância e reduz a frequência das 'pneumonias'.
Os diagnósticos diferenciais incluem asma, fibrose cística, imunodeficiências primárias, malformações congênitas pulmonares, aspiração crônica (refluxo gastroesofágico), bronquiectasias e discinesia ciliar primária.
A inflamação crônica das vias aéreas na asma pode comprometer os mecanismos de defesa pulmonar, tornando a criança mais suscetível a infecções virais e bacterianas, que podem se manifestar como pneumonia. Além disso, atelectasias por rolhas de muco podem ser confundidas com infiltrados.
Sibilância recorrente, tosse predominantemente noturna ou matinal, melhora com broncodilatadores, história familiar de atopia e ausência de outros sinais de doenças crônicas ou imunodeficiências são sugestivos de asma.
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