UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2022
Lactente, 13m, interna na Enfermaria de Pediatria com história de cansaço há três dias. Nega episódios de engasgo ou cianose. Antecedente pessoal: terceira internação nos últimos oito meses por quadro semelhante, em todos fez uso de antibioticoterapia e inalação com beta2-agonista; vacinação atualizada. Exame físico: Bom estado geral, FC= 110bpm, FR= 39irpm, oximetria de pulso (ar ambiente)= 95%; pulmões: murmúrio vesicular: presente diminuído em base direita, anteriormente. Radiograma de tórax: opacidade homogênea em topografia de lobo médio, com adenomegalia peri-hilar ipsilateral. Radiogramas de tórax das internações anteriores com imagens semelhantes. O EXAME A SER REALIZADO COM OBJETIVO DE IDENTIFICAÇÃO DO AGENTE ETIOLÓGICO É:
Pneumonia recorrente em lobo médio + adenomegalia hilar ipsilateral → suspeitar Tuberculose pulmonar pediátrica.
Pneumonias recorrentes, especialmente com padrão de consolidação persistente ou recorrente no mesmo lobo (como o lobo médio) e associadas a adenomegalia hilar, devem levantar forte suspeita de tuberculose pulmonar em crianças. O lavado gástrico é o método preferencial para coleta de amostras para pesquisa de Mycobacterium tuberculosis em lactentes.
Pneumonia recorrente em lactentes é um desafio diagnóstico e terapêutico, definida por dois ou mais episódios em um ano ou três ou mais episódios na vida, com evidência radiológica de resolução entre eles. A investigação é crucial para identificar a causa subjacente e evitar complicações a longo prazo, sendo a tuberculose uma etiologia importante a ser considerada em áreas endêmicas. O caso clínico descreve um lactente com pneumonias recorrentes no mesmo lobo (lobo médio) e adenomegalia peri-hilar ipsilateral, um padrão radiológico altamente sugestivo de tuberculose pulmonar primária em crianças, conhecida como complexo primário de Ghon. A adenomegalia pode causar compressão brônquica, levando a atelectasia e infecções secundárias, mimetizando pneumonias. O diagnóstico de tuberculose em crianças é desafiador devido à dificuldade de obtenção de amostras respiratórias. O lavado gástrico é o método de escolha para coletar escarro deglutido em lactentes e crianças pequenas para cultura e pesquisa de BAAR. O tratamento da tuberculose é prolongado e específico, sendo fundamental a identificação precoce para evitar sequelas e a disseminação da doença.
As causas incluem asma, refluxo gastroesofágico, aspiração de corpo estranho, malformações congênitas das vias aéreas ou pulmões, imunodeficiências, fibrose cística e infecções crônicas como tuberculose.
A tuberculose em crianças pode se manifestar como pneumonia persistente ou recorrente, muitas vezes associada a adenomegalia hilar, especialmente em regiões de alta prevalência, e pode ser subdiagnosticada se não houver alta suspeição.
Lactentes e crianças pequenas geralmente não conseguem expectorar escarro. O lavado gástrico, coletado pela manhã, é o método mais eficaz para obter amostras de secreções respiratórias deglutidas para pesquisa de Mycobacterium tuberculosis.
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