SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2024
Qual, das condutas abaixo, predispõe à pneumonia pós-operatória em cirurgias abdominais de grande porte?
Negligenciar focos infecciosos dentários pré-op → ↑ colonização orofaríngea → ↑ risco de pneumonia.
A ausência de tratamento odontológico prévio e a má higiene oral predispõem à pneumonia pós-operatória por permitirem a colonização da orofaringe por patógenos que podem ser aspirados durante ou após a cirurgia.
A pneumonia pós-operatória (PPO) é uma das complicações mais graves em cirurgia geral, associada a aumento da morbimortalidade e do tempo de internação. Sua patogênese envolve a interação entre a depressão do sistema imunológico pelo estresse cirúrgico, a redução da depuração mucociliar e a aspiração de secreções orofaríngeas contaminadas. O preparo pré-operatório deve ser multidisciplinar. A otimização da saúde bucal é frequentemente negligenciada, mas estudos demonstram que a descontaminação da orofaringe reduz a incidência de infecções respiratórias nosocomial. Portanto, a conduta de 'evitar qualquer tratamento dentário' nos dias que antecedem a cirurgia (quando há necessidade de erradicação de focos infecciosos) é prejudicial, pois mantém o paciente colonizado por germes de alta virulência.
Na verdade, a recomendação é tratar focos infecciosos bucais antes de cirurgias eletivas de grande porte. A cavidade oral é um reservatório de patógenos. Se o paciente evita o tratamento de cáries, gengivites ou periodontites, ele mantém uma carga bacteriana elevada que, associada à intubação orotraqueal e à redução dos reflexos de tosse no pós-operatório, aumenta significativamente o risco de pneumonia por microaspiração.
As medidas preventivas eficazes incluem: manutenção do decúbito elevado (30-45°), higiene oral com clorexidina, deambulação precoce, controle adequado da dor para permitir incursões respiratórias profundas, uso de espirometria de incentivo e exercícios de tosse assistida. Essas ações visam reduzir a atelectasia e a estase de secreções.
Cirurgias abdominais altas causam disfunção diafragmática reflexa e dor à inspiração, levando a um padrão respiratório restritivo superficial. Isso resulta em colapso alveolar (atelectasia), especialmente nas bases pulmonares, criando um ambiente propício para a proliferação bacteriana e desenvolvimento de pneumonia.
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