SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2022
Homem de 22 anos queixa-se de febre baixa e tosse seca, há 2 semanas, e nos últimos dias tem tido expectoração mucoide discreta. Refere que ha 24 horas apresenta dispneia, mesmo em repouso. Ao exame: estado geral comprometido, anictérico, hipocorado 1+/4+, dispneico (frequência respiratória = 32 irpm). Presença de placas esbranquiçadas recobrindo palato e língua. Ausculta pulmonar: murmúrio vesicular universal sem ruídos adventícios. SatO2 em ar ambiente: 90%. Exames iniciais: Hb 10,0 g/dL Leucócitos 5.200/mm³ Plaquetas 165.000/mm3 Desidrogenase láctica 672 U/L (VR = 140-271 U/L) TGO 20 U/L TGP 32 U/L Rx de tórax: tênue infiltrado intersticial peri-hilar bilateral; Teste rápido para HIV: reagente.Qual a conduta terapêutica recomendada para a principal hipótese diagnóstica deste caso?
HIV + PJP grave (SatO2 <90%) → Sulfametoxazol-Trimetoprim + Prednisona.
O paciente apresenta quadro sugestivo de Pneumonia por Pneumocystis jirovecii (PJP/PCP) em contexto de HIV (teste reagente, candidíase oral, LDH elevada, infiltrado intersticial). A dispneia em repouso e SatO2 de 90% indicam doença moderada a grave, justificando o uso de corticosteroides adjuvantes ao tratamento padrão com Sulfametoxazol-Trimetoprim.
A Pneumonia por Pneumocystis jirovecii (PJP), anteriormente conhecida como Pneumonia por Pneumocystis carinii (PCP), é uma infecção oportunista grave e a principal causa de pneumonia em pacientes com HIV/AIDS, especialmente aqueles com contagem de CD4 abaixo de 200 células/mm³. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são cruciais para a sobrevida. O quadro clínico típico inclui febre, tosse seca e dispneia progressiva, que pode evoluir para insuficiência respiratória. Achados laboratoriais comuns incluem LDH elevada. Radiograficamente, observa-se infiltrado intersticial difuso bilateral. O diagnóstico é confirmado pela detecção do Pneumocystis jirovecii em amostras respiratórias (escarro induzido, lavado broncoalveolar). O tratamento padrão é com Sulfametoxazol-Trimetoprim (SMX-TMP) em altas doses por 21 dias. Em casos de PJP moderada a grave, definida por hipoxemia (PaO2 < 70 mmHg ou SatO2 < 90%), a adição de corticosteroides (geralmente prednisona) é fundamental para reduzir a inflamação pulmonar e melhorar o prognóstico. A profilaxia primária para PJP é indicada para pacientes com CD4 < 200 células/mm³.
Clinicamente, tosse seca, dispneia progressiva, febre baixa. Laboratorialmente, LDH elevada é um marcador inespecífico mas comum. Radiograficamente, infiltrado intersticial bilateral difuso. A presença de candidíase oral sugere imunossupressão avançada.
Corticosteroides (geralmente prednisona) são indicados como terapia adjuvante em casos de PJP moderada a grave, definida por hipoxemia significativa (PaO2 < 70 mmHg em ar ambiente ou gradiente alvéolo-arterial de O2 > 35 mmHg, ou SatO2 < 90%). Eles ajudam a reduzir a resposta inflamatória pulmonar.
O tratamento de primeira linha é Sulfametoxazol-Trimetoprim (SMX-TMP) em altas doses. A duração usual é de 21 dias. Em casos de intolerância ou alergia, alternativas incluem clindamicina + primaquina, pentamidina ou atovaquona.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo