ENARE/ENAMED — Prova 2024
Um jovem de 25 anos comparece à UBS com quadro de tosse há cerca de 3 semanas, com relato de dispneia progressiva. Ele vive com HIV (PVHIV), porém abandonou o tratamento há cerca de dois anos. Ao exame clínico, não há alterações na ausculta respiratória, porém ele apresenta uma FR de 26 irpm e uma Sat O2 em ar ambiente de 93%, também apresenta febre de 38,2ºC ao exame clínico. Considerando o agente etiológico mais provável nesse paciente, qual é o achado radiológico esperado na radiografia de tórax?
PVHIV com dispneia progressiva, febre, hipoxemia e ausculta normal → PCP com infiltrado intersticial peri-hilar.
Em pacientes PVHIV com imunossupressão e sintomas respiratórios como tosse e dispneia progressiva, a Pneumonia por Pneumocystis jirovecii (PCP) é uma forte suspeita, e o achado radiológico clássico é o infiltrado intersticial peri-hilar bilateral.
A Pneumonia por Pneumocystis jirovecii (PCP) é uma infecção oportunista grave, classicamente associada a pacientes com imunodeficiência, especialmente aqueles vivendo com HIV (PVHIV) com contagem de CD4 baixa. É uma das principais causas de morbimortalidade respiratória nessa população. O quadro clínico da PCP é insidioso, com tosse seca, dispneia progressiva e febre. A hipoxemia é comum, mas a ausculta pulmonar pode ser surpreendentemente normal, o que pode atrasar o diagnóstico. Na radiografia de tórax, o achado mais característico é o infiltrado intersticial bilateral e difuso, predominantemente peri-hilar, que pode progredir para um padrão em "vidro fosco" na tomografia. O diagnóstico definitivo é feito pela detecção do Pneumocystis jirovecii em amostras respiratórias (escarro induzido, lavado broncoalveolar). O tratamento é com sulfametoxazol-trimetoprim, e a profilaxia primária é indicada para PVHIV com CD4 < 200 células/mm³. A suspeita precoce e o tratamento adequado são cruciais para melhorar o prognóstico.
Os sintomas incluem tosse seca, dispneia progressiva, febre e hipoxemia, que podem se desenvolver insidiosamente ao longo de semanas.
A ausculta pode ser normal porque a PCP afeta predominantemente o interstício pulmonar, e não os alvéolos, o que pode não gerar ruídos adventícios audíveis.
O tratamento de primeira linha é sulfametoxazol-trimetoprim (SMX-TMP), com corticosteroides adicionados para casos moderados a graves com hipoxemia.
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