Pneumocistose em HIV: Diagnóstico e Tratamento Essencial

Santa Casa de Araçatuba (SP) — Prova 2021

Enunciado

Homem de 35 anos, com quadro de febre, tosse seca e dispneia progressiva há 3 semanas. Ao exame clínico apresenta taquipneia, com ausculta pulmonar sem ruídos adventícios e saturação de 87% em ar ambiente. Realizada radiografia de tórax com padrão de infiltrado intersticial e exames laboratoriais evidenciando elevação de desidrogenase lática (1300 U/L). Feito teste rápido para HIV com resultado positivo. Apresenta teste rápido IgG e IgM e swabnaso-orofaríngeo negativos para Covid-19. A principal hipótese diagnóstica e tratamento a ser instituído são, respectivamente

Alternativas

  1. A) Pneumocistose; oxigenioterapia, sulfametoxazol+trimetoprima e prednisona.
  2. B) Tuberculose; oxigenioterapia e esquema RIPE.
  3. C) Covid-19; oxigenioterapia, dexametasona, enoxaparina e azitromicina.
  4. D) Histoplasmose; oxigenioterapia e anfotericina B.

Pérola Clínica

HIV + dispneia, tosse seca, infiltrado intersticial, DHL ↑ → Pneumocistose (PJP).

Resumo-Chave

A pneumonia por Pneumocystis jirovecii (PJP) é uma infecção oportunista comum em pacientes com HIV e baixa contagem de CD4. A tríade clássica inclui febre, tosse seca e dispneia progressiva, com infiltrado intersticial na radiografia de tórax e DHL elevada. O tratamento padrão é sulfametoxazol-trimetoprima, com adição de prednisona em casos de hipoxemia moderada a grave.

Contexto Educacional

A Pneumonia por Pneumocystis jirovecii (PJP) é uma infecção oportunista grave e a principal causa de pneumonia em pacientes com HIV, especialmente aqueles com contagem de CD4 abaixo de 200 células/µL. Sua importância reside na alta morbimortalidade se não diagnosticada e tratada precocemente. A apresentação clínica é subaguda, com febre, tosse seca e dispneia progressiva. O diagnóstico é fortemente sugerido pela tríade clínica, infiltrado intersticial bilateral difuso na radiografia de tórax e elevação da desidrogenase lática (DHL). A ausculta pulmonar pode ser surpreendentemente normal, apesar da hipoxemia significativa. A confirmação definitiva é feita pela identificação do P. jirovecii em amostras respiratórias (escarro induzido, lavado broncoalveolar). O tratamento de escolha é sulfametoxazol-trimetoprima (SMX-TMP). Em pacientes com hipoxemia moderada a grave (PaO2 < 70 mmHg ou gradiente alvéolo-arterial de O2 > 35 mmHg), a adição de corticosteroides (prednisona) é fundamental para reduzir a inflamação e melhorar o prognóstico. A profilaxia primária para PJP é indicada em pacientes com CD4 < 200 células/µL.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos e laboratoriais da Pneumocistose em pacientes com HIV?

A Pneumocistose em pacientes com HIV geralmente se manifesta com febre, tosse seca e dispneia progressiva. Radiograficamente, observa-se infiltrado intersticial bilateral difuso, e laboratorialmente, é comum a elevação da desidrogenase lática (DHL).

Qual o tratamento de primeira linha para Pneumonia por Pneumocystis jirovecii e quando adicionar corticosteroide?

O tratamento de primeira linha para PJP é sulfametoxazol-trimetoprima (SMX-TMP). A adição de corticosteroides (prednisona) é indicada em casos de hipoxemia moderada a grave, definida por PaO2 < 70 mmHg ou gradiente alvéolo-arterial de O2 > 35 mmHg.

Como diferenciar a Pneumocistose de outras causas de pneumonia em pacientes imunocomprometidos?

A PJP se diferencia pela apresentação subaguda, tosse seca, hipoxemia desproporcional aos achados auscultatórios (geralmente normais) e DHL elevada. Outras pneumonias podem ter achados radiológicos e laboratoriais distintos, exigindo investigação microbiológica específica.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo