UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020
Homem, 36a, procurou ambulatório com tosse seca há três semanas, acompanhada de dispneia na última semana. Relata perda ponderal de cinco quilos em dois meses, diminuição do apetite e queda de cabelo. Antecedentes pessoais: usuário de substâncias psicoativas. Exame físico: emagrecido, FR= 18 irpm, oximetria (ar ambiente)= 89%, orofaringe: gengivite e leucoplasia pilosa; Pulmões: estertores subcrepitantes difusos. O TRATAMENTO ANTIMICROBIANO EMPIRICO É:
Paciente imunocomprometido (HIV/usuário drogas) + tosse seca + dispneia + hipoxemia → suspeitar PJP → SMX/TMP.
O quadro clínico de tosse seca, dispneia progressiva, hipoxemia e infiltrado pulmonar difuso em paciente com fatores de risco para HIV (usuário de substâncias psicoativas, leucoplasia pilosa) é altamente sugestivo de Pneumonia por Pneumocystis jirovecii (PJP), que tem como tratamento empírico de primeira linha sulfametoxazol-trimetoprima.
O caso clínico descreve um paciente jovem com sintomas respiratórios subagudos (tosse seca, dispneia progressiva), sintomas constitucionais (perda ponderal, diminuição do apetite, queda de cabelo) e achados de exame físico sugestivos de imunocomprometimento grave (leucoplasia pilosa oral, hipoxemia). O antecedente de uso de substâncias psicoativas é um fator de risco importante para infecção por HIV. Este quadro é altamente sugestivo de pneumonia por *Pneumocystis jirovecii* (PJP), uma infecção oportunista comum em pacientes com HIV/AIDS com contagem de CD4 abaixo de 200 células/mm³. A PJP se caracteriza por tosse seca, dispneia progressiva, febre e hipoxemia, muitas vezes com estertores crepitantes ou subcrepitantes difusos à ausculta. A radiografia de tórax pode mostrar infiltrados intersticiais difusos bilaterais, mas em casos iniciais pode ser normal. A tomografia de tórax é mais sensível, revelando infiltrados em vidro fosco. O diagnóstico definitivo é feito pela detecção do *Pneumocystis jirovecii* em amostras respiratórias (escarro induzido, lavado broncoalveolar). O tratamento antimicrobiano empírico de primeira linha para PJP é sulfametoxazol-trimetoprima (SMX/TMP), geralmente em altas doses. Em casos de hipoxemia moderada a grave (PaO2 < 70 mmHg ou gradiente alvéolo-arterial > 35 mmHg), a adição de corticosteroides sistêmicos é recomendada para reduzir a inflamação pulmonar e melhorar o prognóstico. É crucial iniciar o tratamento prontamente devido à rápida progressão da doença.
A PJP tipicamente se manifesta com tosse seca, dispneia progressiva, febre baixa e hipoxemia desproporcional aos achados radiológicos. Em pacientes imunocomprometidos, especialmente com HIV, a presença de leucoplasia pilosa oral e perda ponderal reforça a suspeita.
O tratamento empírico de escolha para PJP é sulfametoxazol-trimetoprima (SMX/TMP), devido à sua alta eficácia contra *Pneumocystis jirovecii*. A dose e a duração dependem da gravidade da doença e da resposta clínica do paciente, sendo crucial iniciar rapidamente.
Os principais fatores de risco são imunodeficiência, especialmente em pacientes com HIV/AIDS (CD4 < 200 células/mm³), uso de imunossupressores, malignidades e transplantes. No caso, o paciente é usuário de substâncias psicoativas (risco para HIV) e apresenta leucoplasia pilosa oral, um forte indicativo de infecção por HIV avançada.
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