UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2023
Paciente de 7 anos, previamente hígido, com calendário vacinal completo, foi trazido à consulta por febre de até 38o C há 24 horas, antecedida por 2 dias de dor de garganta, mialgias nos membros inferiores e dorso, tosse com sibilos e cefaleia frontal. Seus dois irmãos também estavam com tosse e faringite. A radiografia de tórax mostrou infiltrado peri-hilar, mais evidente nos lobos inferiores, e um pequeno derrame pleural à direita. Qual a provável etiologia e qual o primeiro tratamento recomendado?
Pneumonia atípica em escolares com sintomas sistêmicos e RX com infiltrado peri-hilar → Mycoplasma pneumoniae = Azitromicina.
A pneumonia por Mycoplasma pneumoniae é comum em escolares e adolescentes, apresentando quadro arrastado com sintomas sistêmicos e tosse persistente. O padrão radiológico de infiltrado peri-hilar e pequeno derrame pleural é sugestivo. Macrolídeos, como a azitromicina, são a primeira linha de tratamento.
A pneumonia por Mycoplasma pneumoniae é uma causa comum de pneumonia atípica, especialmente em crianças em idade escolar e adolescentes. Sua importância clínica reside na necessidade de um tratamento específico, já que não responde aos antibióticos beta-lactâmicos tradicionais. A transmissão ocorre por gotículas respiratórias, explicando a frequência de casos em ambientes familiares ou escolares. A fisiopatologia envolve a adesão do Mycoplasma às células epiteliais respiratórias, causando inflamação e dano. O diagnóstico é primariamente clínico e epidemiológico, apoiado por achados radiológicos como infiltrados intersticiais ou peri-hilares e, por vezes, pequeno derrame pleural. A suspeita deve surgir em quadros de pneumonia com sintomas sistêmicos proeminentes e tosse arrastada, sem resposta a antibióticos comuns. O tratamento de escolha são os macrolídeos (azitromicina, claritromicina) ou tetraciclinas (doxiciclina para maiores de 8 anos). O prognóstico é geralmente bom com o tratamento adequado, mas a falta de reconhecimento pode levar a um curso mais prolongado da doença. É crucial para residentes reconhecer o padrão clínico e radiológico para iniciar a terapia correta e evitar o uso desnecessário de antibióticos ineficazes.
A pneumonia por Mycoplasma pneumoniae em crianças frequentemente se manifesta com febre baixa, tosse persistente (muitas vezes com sibilos), dor de garganta, mialgias e cefaleia. É comum o acometimento de outros membros da família com sintomas respiratórios semelhantes.
O tratamento de primeira linha para pneumonia por Mycoplasma pneumoniae são os macrolídeos, como a azitromicina. Isso ocorre porque Mycoplasma é uma bactéria sem parede celular, tornando-a resistente a antibióticos beta-lactâmicos comumente usados para pneumonias bacterianas típicas.
Radiograficamente, a pneumonia por Mycoplasma pode apresentar infiltrado peri-hilar ou intersticial, frequentemente nos lobos inferiores, e ocasionalmente um pequeno derrame pleural. Isso difere dos infiltrados lobares ou broncopneumônicos mais densos vistos em pneumonias bacterianas típicas.
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