UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2018
Um paciente de 20 anos apresenta-se à consulta ambulatorial com quadro de febre baixa, mialgias e tosse seca, recebendo o diagnóstico sindrômico de pneumonia atípica. O achado do exame físico que sugeriu infecção por Mycoplasma pneumoniae como a causa mais provável de sua pneumonia foi:
Pneumonia por Mycoplasma pneumoniae → frequentemente associada a manifestações extrapulmonares, como lesões mucocutâneas (SJS).
Mycoplasma pneumoniae é uma causa comum de pneumonia atípica, especialmente em jovens. Além dos sintomas respiratórios, é conhecido por causar diversas manifestações extrapulmonares, incluindo neurológicas, hematológicas e, notavelmente, dermatológicas, como eritema multiforme e, em casos mais graves, síndrome de Stevens-Johnson (SJS).
A pneumonia por Mycoplasma pneumoniae é uma forma comum de pneumonia atípica, particularmente prevalente em crianças e adultos jovens. Caracteriza-se por um início insidioso de sintomas respiratórios superiores, seguido por tosse seca persistente, febre baixa e mialgias. O quadro radiológico pode ser variável e, muitas vezes, não se correlaciona diretamente com a gravidade dos sintomas clínicos. Um aspecto distintivo das infecções por Mycoplasma pneumoniae é a sua associação com uma ampla gama de manifestações extrapulmonares. Estas podem afetar diversos sistemas, incluindo o sistema nervoso central (encefalite, meningite), sistema hematológico (anemia hemolítica), sistema cardiovascular (miocardite, pericardite) e, de forma notável, o sistema dermatológico. As lesões mucocutâneas são relativamente comuns e podem variar desde exantemas maculopapulares inespecíficos até condições mais graves como eritema multiforme e a síndrome de Stevens-Johnson (SJS), que é uma reação de hipersensibilidade grave. A presença de lesões mucocutâneas, como as da SJS, em um paciente com quadro de pneumonia atípica, deve levantar forte suspeita para infecção por Mycoplasma pneumoniae. O reconhecimento dessas manifestações extrapulmonares é crucial para o diagnóstico correto e para o manejo adequado, que geralmente envolve antibióticos da classe dos macrolídeos (como azitromicina) ou tetraciclinas (como doxiciclina), uma vez que Mycoplasma não possui parede celular e é resistente a beta-lactâmicos.
Os sintomas típicos incluem febre baixa, tosse seca persistente, mialgias, cefaleia e mal-estar. A tosse pode ser o sintoma mais proeminente e duradouro, muitas vezes desproporcional aos achados radiológicos.
Além das lesões mucocutâneas como eritema multiforme ou síndrome de Stevens-Johnson, podem ocorrer manifestações neurológicas (encefalite, meningite), hematológicas (anemia hemolítica), cardíacas (miocardite) e gastrointestinais.
A diferenciação é desafiadora clinicamente, mas a presença de manifestações extrapulmonares, especialmente dermatológicas, pode sugerir Mycoplasma. O diagnóstico definitivo geralmente requer testes sorológicos ou PCR, embora o tratamento empírico com macrolídeos seja comum.
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