FBHC - Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia (SE) — Prova 2021
Criança de 10 anos com história de tosse há mais de 3 semanas, associada a cefaleia e mal-estar, além de rouquidão. Mãe não sabe afirmar se houve febre. Ao exame físico, a ausculta pulmonar tinha presença de síbilos. O irmão mais velho de 14 anos apresentou quadro semelhante há 4 semanas, fez uso de amoxicilina, e não melhorou o quadro respiratório. Em relação ao quadro clínico relatado, qual a principal hipótese diagnóstica?
Tosse prolongada, cefaleia, sibilância e falha a beta-lactâmicos em criança → suspeitar Mycoplasma pneumoniae.
A pneumonia por Mycoplasma pneumoniae é uma causa comum de pneumonia atípica em crianças e adolescentes, caracterizada por tosse persistente, sintomas sistêmicos e, frequentemente, resposta inadequada a antibióticos beta-lactâmicos. A transmissão é comum em ambientes familiares e escolares.
A pneumonia por Mycoplasma pneumoniae é uma das causas mais frequentes de pneumonia atípica em crianças e adolescentes, com picos de incidência em escolares e jovens adultos. Sua importância clínica reside na apresentação insidiosa e na resposta inadequada a antibióticos de primeira linha para pneumonias bacterianas típicas, como os beta-lactâmicos. É crucial reconhecer seu padrão epidemiológico, frequentemente com casos semelhantes em contatos próximos. A fisiopatologia envolve a adesão do Mycoplasma ao epitélio respiratório, causando inflamação e dano celular. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história de tosse persistente, sintomas sistêmicos (cefaleia, mal-estar), achados de ausculta (sibilância, crepitantes) e falha terapêutica a amoxicilina ou outros beta-lactâmicos. Exames complementares como radiografia de tórax podem mostrar infiltrados variados, e testes específicos (PCR, sorologia) confirmam o agente. O tratamento de escolha para pneumonia por Mycoplasma pneumoniae são os macrolídeos (azitromicina, claritromicina) ou, em casos de resistência ou intolerância, fluoroquinolonas (em adolescentes) ou tetraciclinas (em crianças maiores). O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são fundamentais para evitar complicações e reduzir a duração dos sintomas, que podem ser bastante arrastados se não tratados corretamente.
Os sintomas incluem tosse prolongada (mais de 3 semanas), cefaleia, mal-estar, rouquidão e, por vezes, sibilância. É comum a ocorrência de quadros semelhantes em familiares.
Mycoplasma pneumoniae não possui parede celular, tornando-o intrinsecamente resistente a antibióticos beta-lactâmicos como a amoxicilina, que agem inibindo a síntese da parede celular bacteriana.
A suspeita aumenta com tosse arrastada, sintomas sistêmicos, sibilância e falha a antibióticos comuns. O diagnóstico definitivo é por PCR ou sorologia, mas a clínica é crucial para iniciar tratamento empírico.
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