AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2015
Escolar de 7 anos há duas semanas com quadro progressivo de cefaleia, mal-estar e febre baixa. Atualmente com tosse produtiva, dor de garganta e de ouvido. Ao exame eritema leve de orofaringe, bolhas nas membranas timpânicas, adenopatia cervical moderada, ausculta pulmonar com sibilos esparsos e estertores em bases, taquipneico. Raio X de tórax com sombra espessa brônquica, com manchas de infiltrado intersticial e áreas de atelectasias em lobos inferiores. O provável agente causal deste quadro é:
Escolar com quadro arrastado, sintomas sistêmicos, otite bolhosa e infiltrado intersticial no RX → Mycoplasma pneumoniae.
O quadro clínico de início insidioso, sintomas constitucionais, tosse persistente, manifestações extrapulmonares como otite bolhosa e o padrão de infiltrado intersticial na radiografia de tórax em um escolar são altamente sugestivos de pneumonia por Mycoplasma pneumoniae, o agente mais comum de pneumonia atípica nessa faixa etária.
A pneumonia é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças, e a identificação do agente etiológico é crucial para um tratamento adequado. Em escolares e adolescentes, a pneumonia atípica, frequentemente causada por Mycoplasma pneumoniae, é um diagnóstico importante a ser considerado. Diferente da pneumonia bacteriana típica, que geralmente tem um início abrupto e sintomas mais agudos, a pneumonia por Mycoplasma pneumoniae apresenta um curso mais insidioso e arrastado, muitas vezes referida como 'pneumonia ambulatória' ou 'walking pneumonia'. O quadro clínico típico de Mycoplasma pneumoniae inclui cefaleia, mal-estar, febre baixa, mialgias e uma tosse persistente que pode ser seca ou produtiva. Manifestações extrapulmonares são comuns e podem incluir otite bolhosa (bolhas nas membranas timpânicas), faringite, exantema, artralgias e até manifestações neurológicas. Na radiografia de tórax, os achados são geralmente de infiltrados intersticiais ou broncopneumonia, com espessamento brônquico e, por vezes, atelectasias, em contraste com os infiltrados alveolares lobares da pneumonia pneumocócica. Para residentes, é fundamental estar atento a essa apresentação clínica atípica, especialmente em crianças mais velhas. O tratamento de escolha para pneumonia por Mycoplasma pneumoniae são os macrolídeos (azitromicina, claritromicina), pois esses agentes não possuem parede celular e, portanto, não respondem aos beta-lactâmicos. O reconhecimento precoce e o tratamento direcionado são essenciais para evitar complicações e garantir uma boa evolução do paciente.
A pneumonia atípica em escolares geralmente apresenta início insidioso, com sintomas constitucionais como cefaleia, mal-estar e febre baixa, seguidos por tosse persistente e, por vezes, manifestações extrapulmonares como otite bolhosa, faringite ou exantema.
Na pneumonia por Mycoplasma pneumoniae, a radiografia de tórax frequentemente revela infiltrados intersticiais, espessamento brônquico, e, ocasionalmente, atelectasias ou infiltrados reticulonodulares, diferentemente dos infiltrados alveolares lobares da pneumonia bacteriana típica.
A diferenciação se baseia no quadro clínico (início, sintomas, manifestações extrapulmonares), epidemiologia e achados radiográficos. Mycoplasma é comum em escolares e adolescentes, com quadro arrastado e atípico, enquanto Streptococcus pneumoniae causa pneumonia mais aguda e lobar. Vírus sincicial respiratório é mais comum em lactentes.
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