UEPA - Universidade do Estado do Pará - Santarém — Prova 2018
Um lactente de 45 dias chega a emergência com quadro de tosse e respiração rápida com dificuldade para amamentar ao seio. Ao exame físico encontra-se em Beg, ativa e reativa, afebri, com presença de roncos e estertores difusos e 70 incursões por minuto e saturação de O₂ em ar ambiente de 93%. De história pregressa , lactente nascida de parto vaginal, situação vacinal adequada em aleitamento materno exclusivo e presença de conjuntivite após o nascimento tratada com antibiótico tópico. O microrganismo mais provavelmente envolvido nesta condição clínica é:
Lactente <3 meses com pneumonia atípica (taquipneia, tosse, roncos/estertores) + história de conjuntivite neonatal → suspeitar de Chlamydia trachomatis.
A Chlamydia trachomatis é uma causa importante de pneumonia atípica em lactentes jovens (1-3 meses), frequentemente associada a uma história prévia de conjuntivite neonatal. A apresentação clínica inclui taquipneia, tosse (por vezes coqueluchoide) e ausência de febre, com achados pulmonares difusos.
A pneumonia em lactentes jovens é uma condição séria que exige diagnóstico e tratamento rápidos. Entre as causas de pneumonia atípica nessa faixa etária, a Chlamydia trachomatis se destaca. A infecção é adquirida verticalmente durante o parto vaginal, a partir de uma mãe infectada. A apresentação clínica clássica ocorre entre 1 e 3 meses de vida, caracterizada por taquipneia, tosse persistente (muitas vezes com características coqueluchoides) e ausência de febre, frequentemente precedida ou acompanhada de conjuntivite neonatal. A fisiopatologia envolve a colonização das vias aéreas inferiores pelo microrganismo, levando a um processo inflamatório subagudo. Ao exame físico, podem ser encontrados roncos e estertores difusos, e a radiografia de tórax pode mostrar infiltrados intersticiais ou hiperinsuflação. A história de conjuntivite neonatal, mesmo que tratada topicamente, é um forte indício para a etiologia por Chlamydia. O diagnóstico é confirmado por testes moleculares (PCR) em secreções respiratórias. O tratamento da pneumonia por Chlamydia trachomatis é feito com macrolídeos, sendo a eritromicina ou azitromicina as opções preferenciais. É crucial tratar a mãe e os parceiros sexuais para prevenir reinfecções. Para residentes, é fundamental estar atento à história de conjuntivite neonatal e à apresentação clínica atípica para não atrasar o diagnóstico e o tratamento adequado, evitando complicações respiratórias a longo prazo.
Os sinais incluem taquipneia, tosse persistente (que pode ser paroxística ou coqueluchoide), dificuldade para alimentar, e ausculta pulmonar com roncos e estertores difusos. Febre é geralmente ausente.
A transmissão ocorre verticalmente, da mãe infectada para o recém-nascido, durante o parto vaginal. A infecção pode se manifestar como conjuntivite neonatal e/ou pneumonia.
O tratamento de escolha é a eritromicina oral por 10-14 dias. Azitromicina é uma alternativa, com a vantagem de um curso de tratamento mais curto.
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