UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2024
Lactente com 2 meses, nascido de parto normal, domiciliar, sem pré-natal adequado. Mãe nega intercorrências neonatais. Está em aleitamento materno exclusivo. Há 15 dias iniciou com tosse e secreção ocular amarelada. O quadro intensificou há 3 dias com tosse persistente e "cansaço". Nega febre. Exame físico com bom estado geral, acianótico, temperatura axilar: 36,8ºC, frequência respiratória: 68 ipm, tiragens intercostais, ausculta pulmonar com crepitações esparsas bilateralmente sem sibilos. Saturação de oxigênio de 94%. A radiografia de tórax evidenciou infiltrado intersticial bilateral e hiperinsuflação. Qual a provável etiologia do quadro descrito?
Lactente <3m + tosse + conjuntivite + pneumonia afebril + infiltrado intersticial = Chlamydia trachomatis.
A pneumonia por Chlamydia trachomatis em lactentes jovens (geralmente <3 meses) é caracterizada por um quadro afebril de tosse persistente, taquipneia, tiragens e, frequentemente, história de conjuntivite neonatal. A radiografia de tórax com infiltrado intersticial bilateral e hiperinsuflação é um achado típico, diferenciando-a de outras pneumonias bacterianas ou virais.
A pneumonia por Chlamydia trachomatis é uma causa importante de doença respiratória em lactentes jovens, geralmente com idade entre 2 semanas e 3 meses. É uma infecção adquirida verticalmente durante o parto, e a história de pré-natal inadequado ou parto domiciliar aumenta o risco. A apresentação clínica é peculiar, muitas vezes afebril, o que pode levar a atrasos no diagnóstico. A fisiopatologia envolve a colonização das vias aéreas superiores e inferiores pelo microrganismo, levando a uma inflamação intersticial. Os sintomas incluem tosse persistente, que pode ser paroxística e em 'staccato', taquipneia e tiragens. A conjuntivite neonatal por Chlamydia é um forte preditor de pneumonia. A radiografia de tórax tipicamente mostra infiltrado intersticial bilateral e hiperinsuflação. O diagnóstico é clínico-epidemiológico e pode ser confirmado por testes moleculares (PCR) em secreções respiratórias. O tratamento de escolha é com macrolídeos, como a eritromicina, por 10 a 14 dias. É crucial tratar a mãe e os parceiros sexuais para prevenir reinfecções. O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, mas a tosse pode persistir por semanas.
Os sinais incluem tosse persistente (muitas vezes em 'staccato'), taquipneia, tiragens intercostais, ausência de febre e, frequentemente, história de conjuntivite neonatal prévia ou concomitante, que é um forte indício da infecção.
A transmissão ocorre verticalmente, da mãe infectada para o recém-nascido durante o parto vaginal. Isso pode resultar em infecções oculares (conjuntivite de inclusão) e respiratórias (pneumonia) no lactente.
O tratamento de escolha é a eritromicina oral por 10-14 dias. Outros macrolídeos, como azitromicina, também podem ser utilizados, mas a eritromicina é o padrão para erradicar a bactéria e prevenir recorrências.
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