Pneumonia por Chlamydia trachomatis em Lactentes: Diagnóstico

PMSO - Prefeitura Municipal de Sorocaba (SP) — Prova 2017

Enunciado

Menina, 60 dias, nascida de parto normal, com peso de 3.000 g e estatura de 50 cm é trazida ao pronto-socorro com queixa de que há 3 dias apresenta tosse em crise e "falta de ar". A mãe refere conjuntivite prévia. Nega febre. Exame físico: bom estado geral, FR = 70 irpm, FC = 160 bpm, afebril, acianótica, anictérica, retração intercostal presente e estertores crepitantes em bases pulmonares. Restante sem alterações. Radiograma de tórax com hiperinsuflação bilateral e aumento de trama vaso brônquica. Hb = 12,5 g/dL, leucócitos = 10.000 mm3 (bastões 3%, segmentados 36%, eosinófilos 10%, linfócitos 48%%, monócitos 3%). TRATA-SE, PROVAVELMENTE, DE PNEUMONIA POR:

Alternativas

  1. A) Vírus Respiratório Sincicial.
  2. B) Chlamydia trachomatis.
  3. C) Estreptococo do grupo B.
  4. D) Citomegalovírus.

Pérola Clínica

Lactente < 3 meses com pneumonia afebril, tosse em crises, conjuntivite prévia e eosinofilia → Chlamydia trachomatis.

Resumo-Chave

A pneumonia por Chlamydia trachomatis em lactentes jovens (1-3 meses) é caracterizada por ser afebril, com tosse paroxística (coqueluchoide), taquipneia, e frequentemente precedida ou acompanhada de conjuntivite neonatal, além de poder apresentar eosinofilia no hemograma.

Contexto Educacional

A pneumonia em lactentes é uma causa significativa de morbimortalidade e exige um diagnóstico etiológico preciso para um tratamento eficaz. Em neonatos e lactentes jovens, as causas podem ser diversas, incluindo agentes virais (como o Vírus Sincicial Respiratório), bacterianos (como Streptococcus agalactiae, E. coli, Listeria monocytogenes) e atípicos. A apresentação clínica pode variar amplamente, desde quadros leves até insuficiência respiratória grave. A pneumonia por Chlamydia trachomatis é uma forma particular de pneumonia atípica que afeta lactentes geralmente entre 1 e 3 meses de idade. É caracterizada por uma tríade clínica clássica: conjuntivite neonatal prévia ou concomitante, tosse paroxística (semelhante à coqueluche, mas sem o "guincho" inspiratório típico) e ausência de febre. A infecção é adquirida verticalmente durante o parto, a partir de uma mãe com infecção cervical por Chlamydia. No exame físico, pode-se observar taquipneia e desconforto respiratório, com estertores crepitantes. O diagnóstico é fortemente sugerido pela clínica e pode ser corroborado por exames laboratoriais, como a eosinofilia no hemograma, e radiografia de tórax que pode mostrar hiperinsuflação e infiltrados intersticiais ou peribrônquicos. O tratamento de escolha é a eritromicina ou azitromicina, que são macrolídeos. É crucial reconhecer este quadro para instituir o tratamento adequado e evitar complicações, além de investigar e tratar a mãe e seus parceiros sexuais para prevenir reinfecções e transmissão.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos da pneumonia por Chlamydia trachomatis em lactentes?

Os achados incluem tosse paroxística (coqueluchoide), taquipneia, retração intercostal, ausência de febre e, frequentemente, história de conjuntivite neonatal prévia ou concomitante.

Como o hemograma pode auxiliar no diagnóstico da pneumonia por Chlamydia trachomatis?

O hemograma pode revelar eosinofilia, que é um achado sugestivo, embora não patognomônico, de pneumonia por Chlamydia trachomatis em lactentes.

Qual a via de transmissão da Chlamydia trachomatis para o lactente?

A transmissão ocorre verticalmente, da mãe infectada para o recém-nascido, durante a passagem pelo canal de parto, resultando em conjuntivite e, posteriormente, pneumonia.

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