UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2022
Lactente de 2 meses vinha apresentando tosse e febrícula há 7 dias. A mãe não realizou pré-natal, o parto foi vaginal, a idade gestacional por Capurro foi de 39 semanas e o peso ao nascimento de 3.400 g. Houve registro de disúria no terceiro trimestre da gestação, única intercorrência no período. A família não tinha comorbidades conhecidas. Ao exame, a criança encontrava-se taquipneica, sem retrações, com raros sibilos à ausculta pulmonar e temperatura axilar de 37,5º C. A tosse era em staccato. A saturação de oxigênio era de 95%. O hemograma indicou hemoglobina de 10,5 g/dl e leucócitos de 12.000/mm³ (10% de eosinófilos), sem outras alterações. O raio X de tórax evidenciou opacidades bilaterais, principalmente na região mais central dos pulmões, e leve aprisionamento de ar. Assinale a alternativa que contempla o diagnóstico mais provável e o tratamento adequado.
Lactente <3m, tosse em staccato, eosinofilia, história materna de disúria → Pneumonia por Chlamydia trachomatis = Azitromicina.
A pneumonia por Chlamydia trachomatis é comum em lactentes jovens, geralmente adquirida durante o parto de mães com infecção genital não tratada. A tosse em staccato e a eosinofilia são achados clínicos importantes que auxiliam no diagnóstico diferencial com outras causas de bronquiolite ou pneumonia viral.
A pneumonia por Chlamydia trachomatis é uma causa importante de doença respiratória em lactentes jovens, tipicamente entre 1 e 3 meses de idade. É adquirida verticalmente durante o parto vaginal de mães com infecção cervical não tratada. A apresentação clínica clássica inclui tosse em staccato, taquipneia, e pode haver história de conjuntivite de inclusão neonatal prévia ou concomitante. A febre é geralmente ausente ou de baixo grau, e a ausculta pulmonar pode revelar sibilos ou crepitações finas. O diagnóstico é suspeitado pela clínica e epidemiologia, e pode ser apoiado por achados laboratoriais como eosinofilia periférica e radiografia de tórax com infiltrados intersticiais difusos, hiperinsuflação e opacidades bilaterais. A confirmação diagnóstica pode ser feita por PCR em aspirado nasofaríngeo. O tratamento de escolha é a azitromicina oral por 10 a 14 dias, que é eficaz na erradicação da bactéria e na resolução dos sintomas. É crucial diferenciar esta condição de outras causas de bronquiolite ou pneumonia viral/bacteriana para garantir o tratamento adequado e evitar o uso desnecessário de antibióticos de amplo espectro. O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, mas a infecção não tratada pode levar a complicações respiratórias. A prevenção envolve o rastreamento e tratamento de infecções por Chlamydia em gestantes. Para residentes, é fundamental reconhecer o quadro clínico e os fatores de risco para iniciar a terapêutica correta, evitando morbidade significativa em uma população vulnerável.
Os sinais incluem tosse em staccato (paroxística, sem guincho), taquipneia, febrícula ou ausência de febre, e ausculta pulmonar com raros sibilos ou estertores. A história materna de infecção geniturinária não tratada é um fator de risco importante.
A eosinofilia periférica, ou seja, um aumento no percentual de eosinófilos no hemograma, é um achado laboratorial frequentemente associado à pneumonia por Chlamydia trachomatis em lactentes, diferenciando-a de outras causas.
A azitromicina, um macrolídeo, é o antibiótico de primeira linha porque é eficaz contra Chlamydia trachomatis. A duração do tratamento é geralmente de 10 a 14 dias, visando erradicar a infecção e prevenir complicações.
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