Pneumonia por Chlamydia Trachomatis em Lactentes

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2022

Enunciado

Lactente feminina, 2 meses de vida, é levada pela mãe para consulta na Unidade de Saúde com história de tosse seca iniciada há cerca de 10 dias, sem febre ou coriza. A mãe é solteira, tem 20 anos de idade, primípara, relata que não fez pré-natal e teve apenas corrimento vaginal não tratado. A criança nasceu de parto normal, de termo, chorou forte ao nascer, pesou 2.485 g, ficou no alojamento conjunto e recebeu alta com 48 h de vida. O VDRL foi não reagente da mãe e da criança. Já em casa, depois da primeira semana de vida, apresentou conjuntivite bilateral, cursando com edema e secreção ocular aquosa, que se tornou mucopurulenta. Foi orientada pela enfermeira da unidade a pingar o leite do peito e o médico prescreveu pomada oftálmica, com melhora. Vacinada com as vacinas BCG e Hepatite B. Estava agendada para tomar outras vacinas hoje. Aleitamento materno exclusivo. Exame físico: REG, afebril, saturação 96% e sem sinais de toxemia ou desconforto respiratório. Fontanela anterior plana e normotensa e posterior fechada. Otoscopia e orofaringe sem alteração. AR: FR de 66 irpm, MVF sem ruídos adventícios. ACV: RCR, 2t, sem sopros, FC 112 bpm e tempo de enchimento capilar igual a 3 segundos. Abdome sem alteração. Genitália sem alteração. Foram solicitados exames de hemograma, apresentando leucocitose e presença de eosinofilia. A radiografia de tórax apresentou hiperinsuflação com infiltrados intersticiais bilaterais e simétricos. Qual a principal hipótese diagnóstica e o agente causal mais provável? 

Alternativas

  1. A) Pneumonia bacteriana e Chlamydia trachomatis. 
  2. B) Bronquiolite aguda e Haemophilus influenzae.
  3. C) Pneumonia bacteriana e Bordetella pertussis.
  4. D) Bronquiolite aguda e Vírus sincicial respiratório (VSR).

Pérola Clínica

Lactente com conjuntivite neonatal prévia + tosse seca persistente + eosinofilia + infiltrado intersticial = suspeitar de pneumonia por Chlamydia trachomatis.

Resumo-Chave

A pneumonia afebril do lactente, causada por Chlamydia trachomatis, é caracterizada por tosse seca persistente, ausência de febre, eosinofilia e história de conjuntivite neonatal. É uma infecção transmitida verticalmente da mãe com cervicite não tratada.

Contexto Educacional

A pneumonia afebril do lactente é uma síndrome clínica que afeta bebês jovens, geralmente entre 2 e 12 semanas de vida, caracterizada por tosse persistente e taquipneia na ausência de febre. Dentre as causas, a *Chlamydia trachomatis* é um agente etiológico importante, transmitido verticalmente da mãe para o recém-nascido durante o parto. A história materna de corrimento vaginal não tratado e a ocorrência prévia de conjuntivite neonatal (oftalmia neonatal) no lactente são pistas diagnósticas cruciais. A fisiopatologia envolve a infecção das vias aéreas inferiores pela *Chlamydia*, resultando em inflamação e infiltrado intersticial. Clinicamente, além da tosse seca e taquipneia, o exame físico pode revelar crepitações finas e, em casos mais graves, sibilância. O hemograma frequentemente mostra eosinofilia, e a radiografia de tórax exibe hiperinsuflação com infiltrados intersticiais bilaterais e simétricos. O diagnóstico é confirmado por testes moleculares (PCR) ou cultura de secreções respiratórias. O tratamento da pneumonia por *Chlamydia trachomatis* é feito com antibióticos macrolídeos, sendo a eritromicina a droga de escolha. É fundamental tratar a mãe e os parceiros sexuais para prevenir reinfecções. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são importantes para evitar complicações respiratórias a longo prazo e garantir o desenvolvimento saudável do lactente.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas da pneumonia por Chlamydia trachomatis em lactentes?

A pneumonia por Chlamydia trachomatis manifesta-se tipicamente como uma pneumonia afebril, com tosse seca persistente e estaccato, taquipneia, e pode ser precedida por conjuntivite neonatal. A eosinofilia no hemograma e infiltrados intersticiais na radiografia são achados comuns.

Como a Chlamydia trachomatis é transmitida para o lactente?

A transmissão ocorre verticalmente, durante o parto, quando o lactente entra em contato com secreções cervicais infectadas da mãe. A mãe pode ter uma cervicite assintomática ou não tratada durante a gravidez.

Qual o tratamento recomendado para pneumonia por Chlamydia trachomatis em lactentes?

O tratamento de escolha é a eritromicina oral por 10 a 14 dias. Azitromicina é uma alternativa, com a vantagem de um esquema de dose mais curto, mas a eritromicina é preferida para evitar estenose pilórica hipertrófica em neonatos.

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