UFS/HU - Hospital Universitário de Sergipe - Aracaju (SE) — Prova 2015
Criança de 3 meses de idade apresentando taquipnéia e tosse não produtiva há 1 semana. Ao exame, presença de crepitos e roncos à ausculta pulmonar. Acianótica, afebril, FR 60 ipm, com tiragem intercostal. Refere história de secreção ocular com 3 semanas de vida tratada com colírio antibiótico. Qual a alternativa correta quanto ao microrganismo envolvido e conduta terapêutica apropriada?
Lactente com pneumonia afebril + conjuntivite prévia → suspeitar Chlamydia trachomatis, tratar com macrolídeo.
A história de conjuntivite neonatal (secreção ocular com 3 semanas de vida) seguida por pneumonia afebril com taquipneia e tosse não produtiva em lactente de 3 meses é altamente sugestiva de infecção por Chlamydia trachomatis. O tratamento de escolha para pneumonia por Chlamydia é um macrolídeo (como eritromicina ou azitromicina), e a internação é geralmente indicada para lactentes jovens com desconforto respiratório.
A Chlamydia trachomatis é uma causa importante de infecções neonatais e em lactentes jovens, adquirida durante a passagem pelo canal de parto de mães infectadas. As manifestações mais comuns são a conjuntivite neonatal (oftalmia neonatal), que geralmente aparece entre 5 e 14 dias de vida, e a pneumonia, que se desenvolve mais tardiamente, entre 2 e 12 semanas de vida. A pneumonia por Chlamydia trachomatis é caracterizada por um início insidioso, com tosse persistente (muitas vezes paroxística, tipo "coqueluche"), taquipneia e ausência de febre. A história de conjuntivite neonatal prévia, mesmo que tratada topicamente (o que não erradica a infecção sistêmica ou do trato respiratório), é um forte indício diagnóstico. Ao exame físico, podem ser encontrados crepitações e roncos, com ou sem tiragem. O tratamento de escolha para a pneumonia por Chlamydia trachomatis é um antibiótico macrolídeo, como eritromicina ou azitromicina, por via oral. A internação é geralmente indicada para lactentes com desconforto respiratório significativo, devido ao risco de apneia e à necessidade de suporte. Outras alternativas como Neisseria gonorrhoeae (causa conjuntivite mais grave e pneumonia rara, tratada com penicilina), Staphylococcus aureus (causa pneumonia bacteriana mais aguda e febril) ou Haemophilus influenzae (pneumonia bacteriana, geralmente mais grave e febril em lactentes) não se encaixam tão bem no quadro clínico afebril e com história de conjuntivite prévia.
A pneumonia por Chlamydia trachomatis em lactentes geralmente se manifesta entre 2 e 12 semanas de vida com tosse persistente (muitas vezes em "coqueluche"), taquipneia, crepitações e roncos, mas é tipicamente afebril e sem toxicidade aparente.
A conjuntivite neonatal por Chlamydia trachomatis (oftalmia neonatal) é uma manifestação precoce da infecção adquirida no parto. A bactéria pode colonizar o trato respiratório e causar pneumonia semanas após a conjuntivite, mesmo que esta tenha sido tratada topicamente.
O tratamento de escolha é um macrolídeo, como eritromicina ou azitromicina, por via oral. A internação é frequentemente recomendada para lactentes jovens devido ao risco de apneia e à necessidade de monitoramento do desconforto respiratório.
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