Pneumonia por Chlamydia em Lactentes: Diagnóstico e Tratamento

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2024

Enunciado

Menina de 2 meses apresenta tosse em crises e falta de ar há 3 dias. AP: nascida a termo, parto normal, conjuntivite prévia. Ao exame físico: BEG, eutrófica, FR 71 irpm, FC 160 bpm, SatO2 95% (ar ambiente), afebril, acianótica. Tórax: presença de retrações intercostais, estertores crepitantes em bases. Raio X de tórax (vide imagem) – hiperinsulflação e aumento de trama vasobrônquica. Ao exame laboratorial: Hb 12g/dL, leucócitos 10000/mm3 (bastões 3%, segmentado 36%, eosinófilo 10%, linfócitos 48%, monócitos 3%). Paciente foi internada, colocada sob oxigenioterapia e hidratação IV.O agente etiológico da pneumonia e o tratamento são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) vírus respiratório sincicial; prednisolona VO.
  2. B) Chlamydia trachomatis; eritromicina VO.
  3. C) estreptococo do grupo B; amoxicilina + clavulanato IV.
  4. D) citomegalovírus; ganciclovir IV.

Pérola Clínica

Lactente < 3 meses com tosse em crises, afebril, conjuntivite prévia e eosinofilia → suspeitar Chlamydia trachomatis, tratar com eritromicina.

Resumo-Chave

A pneumonia por Chlamydia trachomatis é comum em lactentes jovens, geralmente afebris, com tosse em crises e histórico de conjuntivite neonatal. A eosinofilia no hemograma é uma pista diagnóstica importante. O tratamento de escolha é a eritromicina oral.

Contexto Educacional

A pneumonia por Chlamydia trachomatis é uma causa importante de doença respiratória em lactentes jovens, tipicamente entre 2 semanas e 3 meses de idade. É adquirida verticalmente durante o parto, a partir de uma mãe infectada. A apresentação clínica é muitas vezes atípica, com início insidioso, tosse em crises (paroxística, coqueluchoide), taquipneia, mas geralmente sem febre alta. Um histórico de conjuntivite neonatal prévia (oftalmia neonatal por Chlamydia) é uma pista diagnóstica crucial. Ao exame físico, o lactente pode apresentar taquipneia e retrações, com estertores crepitantes. O raio-X de tórax frequentemente revela hiperinsuflação e aumento da trama broncovascular. O hemograma pode mostrar eosinofilia, um achado distintivo que ajuda a diferenciar de outras causas de pneumonia viral ou bacteriana. A suspeita clínica é fundamental, pois a cultura é difícil e o diagnóstico molecular (PCR) pode não estar prontamente disponível. O tratamento de escolha para a pneumonia por Chlamydia trachomatis é a eritromicina oral por 10 a 14 dias. Outros macrolídeos como azitromicina também podem ser utilizados. O tratamento é essencial para erradicar a infecção e prevenir complicações pulmonares a longo prazo. É importante tratar também a mãe e o parceiro para evitar reinfecção.

Perguntas Frequentes

Quais são as características da pneumonia por Chlamydia trachomatis em lactentes?

Caracteriza-se por início insidioso, tosse em crises (coqueluchoide), taquipneia, afebril ou febril, e frequentemente histórico de conjuntivite neonatal. A eosinofilia é um achado laboratorial comum.

Por que a eritromicina é o tratamento de escolha para Chlamydia?

A eritromicina (um macrolídeo) é eficaz contra Chlamydia trachomatis, agindo ao inibir a síntese proteica bacteriana. É bem tolerada e tem boa penetração tecidual.

Como diferenciar pneumonia por Chlamydia de bronquiolite viral?

A pneumonia por Chlamydia geralmente é afebril, com tosse mais prolongada e coqueluchoide, e pode ter eosinofilia. A bronquiolite viral é mais aguda, com febre, sibilância e rinorreia, e raramente eosinofilia.

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