UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2018
Um lactente de 30 dias de vida apresenta quadro de tosse há 2 semanas, que vem piorando progressivamente. Nos últimos dias, a tosse tem atrapalhado as mamadas. Nasceu de parto normal, com peso de nascimento = 3,5 kg. A mãe teve verminose na gravidez e é asmática. O bebê apresentou conjuntivite purulenta entre o 3° e o 7° dias de vida. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, afebril, com FR=65 ipm, estertores difusos à ausculta pulmonar, ausência de tiragem, restante sem alterações. O hemograma revela aumento do número de eosinófilos. Em relação a esse caso, qual a principal hipótese diagnóstica?
Lactente <3m, tosse crônica afebril, histórico conjuntivite neonatal + eosinofilia → Pneumonia por Chlamydia trachomatis.
A pneumonia por Chlamydia trachomatis é uma causa comum de pneumonia afebril em lactentes de 1 a 3 meses de idade, frequentemente associada a histórico de conjuntivite neonatal. Caracteriza-se por tosse estaccato, taquipneia, estertores e, em alguns casos, eosinofilia periférica, sendo crucial o diagnóstico diferencial com outras causas de tosse crônica.
A pneumonia por Chlamydia trachomatis é uma infecção respiratória comum em lactentes jovens, geralmente entre 1 e 3 meses de idade. É uma das manifestações da síndrome de Chlamydia trachomatis no recém-nascido, que também inclui conjuntivite neonatal. A infecção é adquirida verticalmente durante o parto vaginal de mães com cervicite por Chlamydia. Sua importância reside na necessidade de reconhecimento para tratamento adequado e prevenção de complicações. Clinicamente, a pneumonia por Chlamydia é caracterizada por uma tosse crônica, progressiva e estaccato, taquipneia e estertores difusos à ausculta, sem febre. O histórico de conjuntivite purulenta neonatal (que ocorre geralmente entre 5 e 14 dias de vida) é um forte preditor. O hemograma pode revelar eosinofilia. O diagnóstico é confirmado por detecção do antígeno ou DNA de Chlamydia em secreções respiratórias. O tratamento de escolha é a eritromicina oral por 14 dias. É fundamental tratar a mãe e seus parceiros sexuais para prevenir reinfecção e futuras transmissões. O prognóstico é geralmente bom com tratamento, mas a tosse pode persistir por semanas. Complicações a longo prazo, como disfunção pulmonar, têm sido relatadas em alguns casos.
Lactentes com pneumonia por Chlamydia trachomatis geralmente apresentam tosse crônica (estaccato), taquipneia, estertores difusos e são afebris. Um histórico de conjuntivite neonatal purulenta é um forte indicativo.
A eosinofilia periférica é um achado laboratorial comum na pneumonia por Chlamydia trachomatis, embora não seja patognomônica, e pode ajudar a diferenciá-la de outras causas de pneumonia afebril em lactentes.
A transmissão ocorre verticalmente, da mãe para o recém-nascido, durante o parto vaginal, quando a mãe está infectada com Chlamydia no trato geniturinário.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo