FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2016
No Pronto-Socorro Pediátrico, você atende uma criança de 3 meses com queixa de tosse há 1 semana. Apresenta temperatura de 36,5 ºC, peso de 5000 g, frequência respiratória de 60 IRM e frequência cardíaca de 136 BCM. Você solicita um leucograma (10000 leucócitos, com diferencial normal, exceto eosinofilia de 6%) e uma radiografia de tórax que evidencia um padrão alvéolo intersticial de distribuição radial e com opacidades paracardíacas. Considerando esses dados, a suspeita clínica é de
Lactente < 6 meses com tosse subaguda, afebril, eosinofilia e infiltrado alvéolo-intersticial → Pneumonia por Chlamydia trachomatis.
A pneumonia por Chlamydia trachomatis é uma causa comum de pneumonia atípica em lactentes jovens (< 6 meses), caracterizada por tosse subaguda (coqueluchoide), afebrilidade, eosinofilia e infiltrado alvéolo-intersticial na radiografia de tórax, frequentemente com história de conjuntivite neonatal.
A pneumonia por Chlamydia trachomatis é uma causa importante de infecção respiratória inferior em lactentes jovens, geralmente entre 2 semanas e 6 meses de idade. É transmitida verticalmente da mãe para o recém-nascido durante o parto, e muitos lactentes afetados podem ter tido conjuntivite neonatal por Chlamydia. É fundamental para residentes reconhecerem essa condição devido à sua apresentação clínica peculiar. Clinicamente, a pneumonia por Chlamydia trachomatis é caracterizada por uma tosse subaguda, progressiva, que pode ser paroxística e coqueluchoide, sem febre ou com febre baixa. O exame físico pode revelar taquipneia e estertores crepitantes. O leucograma frequentemente mostra eosinofilia, um achado distintivo. A radiografia de tórax tipicamente exibe um padrão alvéolo-intersticial difuso, com hiperinsuflação e opacidades perihilares ou paracardíacas. O diagnóstico é confirmado por testes moleculares (PCR) em secreções respiratórias. O tratamento de escolha é a eritromicina ou azitromicina. O reconhecimento e tratamento adequados são importantes para prevenir complicações e garantir a recuperação do lactente, diferenciando-a de outras causas de tosse crônica ou bronquiolite.
Caracteriza-se por tosse subaguda (muitas vezes coqueluchoide), afebrilidade ou febre baixa, taquipneia e, frequentemente, história de conjuntivite neonatal prévia.
A eosinofilia periférica (geralmente > 4%) é um achado laboratorial clássico e muito sugestivo, embora não patognomônico, da pneumonia por Chlamydia trachomatis.
A radiografia de tórax tipicamente mostra um padrão alvéolo-intersticial difuso, com hiperinsuflação e opacidades paracardíacas ou perihilares, sem consolidação lobar evidente.
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