Pneumonia por Chlamydia em Lactentes: Diagnóstico Chave

HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2015

Enunciado

Lactente com 3 meses de idade é levado ao Posto de Saúde com queixa de tosse persistente há 3 semanas, gemente e inapetente há 2 dias. Nega febre durante toda a doença. Nascido de parto normal, a termo, peso adequado para idade gestacional, Apgar 9, 10. Consultas anteriores: aos 7 dias de vida, icterícia fisiológica e aos 30 dias de vida, conjuntivite. Leite materno exclusivo. Ao exame físico: Peso 5 100 g, comprimento 60 cm. BEG, FR 58 irpm, FC 120 bpm, temperatura axilar 36,5 ° C. Ausculta pulmonar com MV presente e estertores subcrepitantes disseminados. Restante do exame sem anormalidades. Radiografia de tórax mostra opacidade heterogênea no lobo superior direito. Hemograma: 10 g Hb, Leucócitos13 000 (bastonetes 1%, segmentados 34%, eosinófilos 9%, basófilos 1%, linfócitos 40%, monócitos 5%). Qual o mais provável diagnóstico para esse caso?

Alternativas

  1. A) Pneumonia por Chlamydia trachomatis.
  2. B) Pneumonia viral.
  3. C) Pneumonia por Streptococcus pneumoniae. 
  4. D) Pneumonia por Mycoplasma pneumoniae. 
  5. E) Pneumonia por aspiração, Refluxo Gástrico Esofágico.

Pérola Clínica

Lactente <3m, tosse persistente afebril, conjuntivite prévia, eosinofilia → Pneumonia por Chlamydia trachomatis.

Resumo-Chave

A pneumonia por Chlamydia trachomatis em lactentes tipicamente se manifesta entre 2 e 12 semanas de vida, com tosse persistente (muitas vezes coqueluchoide), afebril, e histórico de conjuntivite neonatal. O hemograma pode revelar eosinofilia. A radiografia de tórax geralmente mostra infiltrados intersticiais ou opacidades heterogêneas. É uma causa comum de pneumonia atípica nessa faixa etária.

Contexto Educacional

A pneumonia por Chlamydia trachomatis é uma causa importante de doença respiratória em lactentes jovens, geralmente manifestando-se entre 2 e 12 semanas de vida. A infecção é adquirida verticalmente da mãe durante o parto, e muitas vezes é precedida por conjuntivite neonatal (oftalmia neonatal por clamídia), embora nem sempre presente. A epidemiologia destaca a importância do rastreamento e tratamento de gestantes para prevenir a transmissão. O quadro clínico é caracterizado por uma tosse persistente, que pode ser paroxística e assemelhar-se à coqueluche, mas classicamente é afebril ou com febre baixa. Ao exame físico, podem ser auscultados estertores subcrepitantes difusos. A radiografia de tórax tipicamente mostra infiltrados intersticiais ou opacidades heterogêneas, sem consolidação lobar clássica. O hemograma pode apresentar leucocitose com eosinofilia, um achado que, em conjunto com o quadro clínico, é altamente sugestivo do diagnóstico. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são cruciais para evitar complicações. O tratamento de escolha é com macrolídeos, como eritromicina ou azitromicina, por via oral. Para residentes, é fundamental estar atento a esse diagnóstico diferencial em lactentes com tosse crônica e afebril, especialmente com histórico de conjuntivite, a fim de instituir a terapia correta e evitar o uso desnecessário de antibióticos para bactérias típicas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da pneumonia por Chlamydia trachomatis em lactentes?

Os lactentes geralmente apresentam tosse persistente, muitas vezes paroxística e coqueluchoide, sem febre significativa. Pode haver histórico de conjuntivite neonatal e, ao exame pulmonar, estertores crepitantes ou subcrepitantes.

Como o hemograma pode auxiliar no diagnóstico de pneumonia por Chlamydia?

O hemograma pode revelar leucocitose com eosinofilia, um achado sugestivo de infecção por Chlamydia trachomatis em lactentes, embora não seja patognomônico.

Qual a conduta terapêutica para pneumonia por Chlamydia trachomatis?

O tratamento de escolha para pneumonia por Chlamydia trachomatis é a eritromicina ou azitromicina, por via oral, por um período de 10 a 14 dias, visando erradicar a bactéria e prevenir complicações.

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