IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2025
Lactente de 3 meses apresenta tosse há duas semanas, sem melhora. Mãe nega febre ou recusa do seio materno. A criança nasceu de parto transpelviano. Mãe apresentou ITU tratada e leucorreia, não tratada, no seu Pré-natal. Ao exame: crescimento normal, hidratado, com pequena quantidade de secreção ocular bilateral, saturação periférica de O₂ de 96%, FR de 50 irpm, FC de 120 bpm e presença de roncos bilaterais, mas sem outros ruídos adventícios. A radiografia de tórax apresenta infiltrado intersticial. O diagnóstico e o tratamento corretos são:
Lactente 1-3 meses + tosse persistente + afebril + história de conjuntivite → Pneumonia por Chlamydia.
A pneumonia afebril do lactente por Chlamydia trachomatis ocorre por transmissão vertical; o tratamento envolve macrolídeos e, em casos moderados/graves, internação para monitoramento.
A pneumonia afebril do lactente causada pela Chlamydia trachomatis é uma infecção de transmissão vertical, adquirida durante a passagem pelo canal de parto em mães com cervicite não tratada. O quadro é marcado por uma dissociação clínico-radiológica: a criança mantém bom estado geral e não tem febre, mas a radiografia mostra um comprometimento intersticial significativo. O diagnóstico diferencial inclui pneumonia viral (como pelo VSR) e pneumonia por Bordetella pertussis (coqueluche), mas a eosinofilia e o antecedente de conjuntivite direcionam fortemente para Chlamydia. O tratamento com macrolídeos é eficaz na erradicação do microrganismo tanto do trato respiratório quanto da nasofaringe, prevenindo a recorrência e a transmissão.
A pneumonia por Chlamydia trachomatis, também conhecida como pneumonia afebril do lactente, ocorre tipicamente entre a 2ª e a 19ª semana de vida. As principais características incluem: início insidioso, tosse persistente (frequentemente em acessos ou 'staccato'), ausência de febre, taquipneia e, em cerca de 50% dos casos, história prévia ou atual de conjuntivite neonatal. Ao exame físico, podem ser ouvidos estertores finos, mas os sibilos são raros. Laboratorialmente, é comum observar eosinofilia no hemograma e, na radiografia de tórax, infiltrado intersticial bilateral e hiperinsuflação.
O tratamento de escolha para a infecção por Chlamydia trachomatis são os macrolídeos (eritromicina ou azitromicina). No entanto, o uso de eritromicina em lactentes com menos de 2 semanas de vida (e possivelmente azitromicina em menores de 6 semanas) tem sido associado a um risco aumentado de desenvolvimento de Estenose Hipertrófica do Piloro (EHP). Portanto, lactentes tratados com esses medicamentos devem ser monitorados rigorosamente pelos pais e médicos para sinais de obstrução de saída gástrica, como vômitos não biliosos em jato após as mamadas.
A decisão de internar um lactente com pneumonia por Chlamydia baseia-se na gravidade da apresentação clínica e na idade. Indicações comuns incluem: hipoxemia (saturação < 92-94%), desconforto respiratório moderado a grave (taquipneia importante, retrações), incapacidade de manter hidratação oral, apneia ou se o lactente for muito jovem (menor de 1-2 meses) para garantir a segurança do tratamento ambulatorial. A internação permite a administração da medicação sob supervisão, fisioterapia respiratória se necessária e monitoramento contínuo da função respiratória.
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