Pneumonia por Chlamydia trachomatis em Lactentes: Diagnóstico e Tratamento

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2019

Enunciado

Menina, 60 dias, é trazida ao pronto-socorro com queixa de tosse em crise e falta de ar há três dias. Mãe refere conjuntivite prévia. Nega febre. Antecedentes pessoais: parto normal, peso = 3.000 g e comprimento = 50 cm. Exame físico: FR = 70 irpm; FC = 160 bpm; afebril, acianótica, anictérica, retração intercostal presente; pulmões: estertores crepitantes em bases pulmonares. Radiografia de tórax: hiperinsuflação bilateral e aumento de trama vasobrônquica. Hb = 12,5 g/dl; leucócitos = 10.000/mm³ (bastões = 3%, segmentados = 36%, eosinófilos = 10%, linfócitos = 48%, monócitos = 3%). O tratamento é: 

Alternativas

  1. A) Anticorpo monoclonal para vírus sincicial respiratório. 
  2. B) Azitromicina. 
  3. C) Oxacilina e amicacina. 
  4. D) Ganciclovir. 

Pérola Clínica

Lactente < 3 meses com tosse coqueluchoide, conjuntivite prévia e eosinofilia → suspeitar Chlamydia trachomatis.

Resumo-Chave

O quadro clínico de lactente jovem (2-3 meses) com tosse persistente, taquipneia, crepitantes, ausência de febre, histórico de conjuntivite neonatal e eosinofilia no hemograma é altamente sugestivo de pneumonia por Chlamydia trachomatis, cujo tratamento de escolha é a azitromicina.

Contexto Educacional

A pneumonia por Chlamydia trachomatis é uma causa importante de doença respiratória em lactentes jovens, tipicamente entre 2 e 12 semanas de vida. A infecção é adquirida verticalmente durante o parto, a partir de uma mãe infectada. O quadro clínico clássico inclui uma tosse persistente, muitas vezes descrita como "coqueluchoide", taquipneia e estertores crepitantes, mas geralmente sem febre. Um achado anamnésico crucial é o histórico de conjuntivite neonatal prévia, também causada por Chlamydia trachomatis. No hemograma, é comum encontrar eosinofilia periférica, um dado que auxilia na diferenciação de outras causas de bronquiolite ou pneumonia viral. A radiografia de tórax pode mostrar hiperinsuflação e infiltrados intersticiais ou peribrônquicos. O tratamento de escolha para a pneumonia por Chlamydia trachomatis é a azitromicina ou eritromicina. A azitromicina é preferível devido ao seu esquema de dosagem mais simples e menor incidência de efeitos colaterais gastrointestinais. É fundamental tratar a mãe e o parceiro para prevenir reinfecção. O prognóstico é geralmente bom com o tratamento adequado.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos da pneumonia por Chlamydia trachomatis em lactentes?

Caracteriza-se por tosse persistente (coqueluchoide), taquipneia, crepitantes, ausência de febre e histórico de conjuntivite neonatal, geralmente entre 2 e 12 semanas de vida.

Por que a azitromicina é o tratamento de escolha para pneumonia por Chlamydia trachomatis?

A azitromicina é eficaz contra Chlamydia trachomatis e tem a vantagem de um esquema de tratamento mais curto, melhorando a adesão e reduzindo a toxicidade em lactentes.

Qual a importância da eosinofilia no diagnóstico da pneumonia por Chlamydia trachomatis?

A eosinofilia periférica é um achado comum e um marcador útil que, associado ao quadro clínico, aumenta a suspeita diagnóstica para pneumonia por Chlamydia trachomatis.

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