HST - Hospital Santa Teresa (RJ) — Prova 2016
Criança com dois meses de idade vem apresentando tosse há aproximadamente 3 semanas, com piora progressiva nos últimos dias. A mãe nega cianose e febre. Nasceu de parto normal, sem intercorrências. Procurou atendimento de emergência algumas vezes, com prescrição de nebulizações, sem melhora. Ao exame físico, apresentava bom estado geral, taquipneia (FR = 68irpm) e crepitações difusas à ausculta respiratória. Realizou RX de tórax que evidenciou hiperinsuflação difusa e infiltrado intersticial. Hemograma completo mostrou discreta leucocitose com eosinofilia. Qual a principal hipótese diagnóstica para este caso?
Lactente <3m com tosse crônica, taquipneia, crepitações, eosinofilia e RX hiperinsuflação → suspeitar pneumonia por Chlamydia trachomatis.
A pneumonia por Chlamydia trachomatis é uma causa importante de tosse crônica em lactentes jovens, geralmente < 3 meses. A apresentação clássica inclui tosse persistente (coqueluchoide), taquipneia, ausência de febre, eosinofilia e infiltrado intersticial/hiperinsuflação no RX de tórax, diferenciando-a de outras pneumonias bacterianas ou virais.
A pneumonia por Chlamydia trachomatis é uma causa significativa de infecção respiratória inferior em lactentes jovens, geralmente adquirida por transmissão vertical durante o parto de mães infectadas. A doença se manifesta tipicamente entre 2 e 12 semanas de vida, apresentando um curso subagudo e arrastado. É crucial para o residente de pediatria reconhecer este quadro devido à sua apresentação atípica e à necessidade de tratamento específico. Clinicamente, a pneumonia por Chlamydia é caracterizada por tosse persistente, muitas vezes paroxística e com características coqueluchoides, taquipneia e ausência de febre. Ao exame físico, podem ser observadas crepitações difusas. Exames complementares frequentemente revelam eosinofilia no hemograma e achados radiográficos de hiperinsuflação e infiltrado intersticial difuso. A história de conjuntivite neonatal prévia ou concomitante por Chlamydia é um forte indicativo, pois ambos são manifestações da mesma infecção. O tratamento de escolha é um macrolídeo, sendo a eritromicina oral a droga mais utilizada, administrada por 10 a 14 dias. A azitromicina é uma alternativa, com a vantagem de um curso mais curto. O tratamento é eficaz e geralmente leva à resolução completa dos sintomas. É importante diferenciar esta condição de outras causas de tosse crônica em lactentes, como coqueluche e bronquiolite viral, para evitar atrasos no tratamento adequado e complicações.
A pneumonia por Chlamydia trachomatis em lactentes tipicamente se manifesta entre 2 a 12 semanas de vida com tosse persistente (muitas vezes paroxística, tipo coqueluche), taquipneia, ausência de febre, crepitações difusas e, frequentemente, história de conjuntivite neonatal prévia ou concomitante.
O diagnóstico é sugerido pela clínica e exames complementares como hemograma (eosinofilia) e radiografia de tórax (hiperinsuflação, infiltrado intersticial). A confirmação laboratorial é feita por detecção do agente em secreções respiratórias (PCR ou cultura), embora nem sempre seja necessária para iniciar o tratamento empírico.
O tratamento de escolha para pneumonia por Chlamydia trachomatis é a eritromicina oral por 10 a 14 dias. Alternativas incluem azitromicina, que pode ser administrada em um curso mais curto, mas a eritromicina é preferida para erradicar a colonização e prevenir recorrências.
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