UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023
Menina, 3m, é internada em enfermaria com história de tosse seca, recusa das mamadas e cansaço há dois dias. Nega febre. Antecedentes pessoais: parto vaginal domiciliar a termo, com peso adequado; conjuntivite purulenta aos 15 dias de vida, em acompanhamento com oftalmologista. Exame físico: bom estado geral; corada; hidratada; T=36,2oC; FR=71irpm; FC=152bpm; pulsos cheios; enchimento capilar=2seg; pulmões: murmúrio vesicular presente, simétrico, com estertores subcrepitantes bilateralmente, tempo expiratório normal, com presença de retração de fúrcula, tiragem intercostal e subcostal. O AGENTE ETIOLÓGICO RESPONSÁVEL PELO QUADRO É:
Lactente < 6m com pneumonia afebril, tosse seca, taquipneia + história de conjuntivite neonatal → pensar em *Chlamydia trachomatis*.
A pneumonia por Chlamydia trachomatis em lactentes jovens (geralmente 1-3 meses) é caracterizada por ser afebril, com tosse seca persistente (tipo coqueluchoide), taquipneia e estertores subcrepitantes. A história de conjuntivite purulenta neonatal (oftalmia neonatal) é um forte indício, pois a infecção é adquirida no parto.
A pneumonia em lactentes é uma condição comum e potencialmente grave. Em neonatos e lactentes jovens, a etiologia pode ser diferente daquela observada em crianças maiores. A *Chlamydia trachomatis* é um patógeno importante a ser considerado em lactentes de 1 a 3 meses de idade, especialmente quando a apresentação clínica é de pneumonia afebril. A história de conjuntivite purulenta neonatal prévia é um forte indicativo de infecção por *Chlamydia trachomatis*, pois a transmissão ocorre verticalmente durante o parto. A fisiopatologia envolve a colonização das vias aéreas superiores e, posteriormente, inferiores, levando a uma inflamação pulmonar. A apresentação clínica é insidiosa, com tosse seca progressiva que pode se tornar paroxística, taquipneia e desconforto respiratório leve a moderado, mas tipicamente sem febre. O exame físico revela estertores subcrepitantes difusos. O diagnóstico é clínico, epidemiológico e pode ser confirmado por testes moleculares (PCR) em secreções respiratórias. O tratamento de escolha é com macrolídeos, como a eritromicina, por um período de 10 a 14 dias. É fundamental o reconhecimento dessa etiologia para instituir o tratamento adequado e evitar o uso desnecessário de antibióticos de amplo espectro.
A pneumonia por Chlamydia trachomatis geralmente se manifesta entre 1 e 3 meses de idade com tosse seca persistente (muitas vezes paroxística), taquipneia, estertores subcrepitantes e ausência de febre.
Ambas as condições são causadas pela infecção por *Chlamydia trachomatis* adquirida verticalmente durante o parto. A conjuntivite purulenta neonatal pode preceder o desenvolvimento da pneumonia em algumas semanas.
O tratamento de escolha é a eritromicina oral por 10 a 14 dias. Outros macrolídeos como azitromicina também podem ser utilizados. O tratamento é importante para erradicar a bactéria e prevenir complicações.
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