Fundhacre - Fundação Hospital Estadual do Acre — Prova 2017
Pedro Henrique, 12 anos de idade, é levado à consulta na emergência por apresentar tosse produtiva há aproximadamente 3 semanas, mãe refere que o mesmo teve febre baixa nos primeiros dias, foi no Posto de Saúde 3 vezes e sempre lhe receitaram nebulização e xarope (acebrofilina) sem melhora. Ao exame físico: BEG, eupneico, hidratado, Ap; MV +, sem RA. O Pediatra solicita Rx de Toráx que evidencia condensação em base pulmonar esquerda. Marque a alternativa CORRETA.
Tosse produtiva > 2-3 semanas + condensação pulmonar em criança → considerar pneumonia bacteriana não responsiva ou TB.
A persistência de tosse produtiva por 3 semanas, febre baixa e condensação pulmonar em um paciente de 12 anos, sem melhora com tratamento sintomático, levanta a suspeita de pneumonia bacteriana não responsiva a tratamentos iniciais ou outras etiologias como tuberculose. A avaliação da resposta ao tratamento empírico é crucial.
A pneumonia é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças, e sua apresentação clínica pode variar amplamente. Em casos de pneumonia persistente, definida como a ausência de melhora clínica ou radiológica após um curso adequado de antibióticos, é fundamental uma investigação mais aprofundada para identificar a etiologia e garantir o tratamento correto. No caso de Pedro Henrique, a tosse produtiva por três semanas, febre baixa e condensação pulmonar em base esquerda, sem melhora com tratamento sintomático, levantam a bandeira vermelha para uma pneumonia não responsiva. Embora o Streptococcus pneumoniae seja o agente etiológico mais comum de pneumonia bacteriana em crianças, a falta de resposta ao tratamento empírico pode indicar resistência, um agente atípico (embora a condensação seja menos comum em atípicas) ou, de forma crucial, outras condições como a tuberculose pulmonar, especialmente em um contexto de tosse prolongada. A conduta nesses casos envolve uma reavaliação diagnóstica completa. Isso pode incluir a revisão do antibiótico empírico, a realização de exames complementares para identificar o agente etiológico (culturas, testes moleculares), e a investigação de diagnósticos diferenciais como tuberculose (PPD, pesquisa de BAAR, cultura), aspiração de corpo estranho, bronquiectasias ou imunodeficiências. A decisão de internar o paciente dependerá da gravidade do quadro clínico, da resposta à terapia e da necessidade de exames invasivos ou tratamento endovenoso.
As causas incluem pneumonia bacteriana não responsiva (por resistência ou agente atípico), tuberculose, aspiração de corpo estranho, bronquiectasias, fibrose cística, imunodeficiências e malformações pulmonares congênitas.
Deve-se suspeitar de tuberculose em crianças com tosse crônica (>3 semanas), febre prolongada, perda de peso, contato com adulto bacilífero, e achados radiológicos como condensação persistente, adenopatia hilar ou derrame pleural, especialmente em áreas de alta prevalência.
A conduta inicial envolve reavaliação clínica, revisão do tratamento antibiótico (considerar espectro ampliado ou mudança), exames complementares como hemograma, PCR, cultura de escarro (se possível), pesquisa de BAAR e, se necessário, broncoscopia ou tomografia de tórax para investigação de outras etiologias.
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