INGOH - Instituto Goiano de Oncologia e Hematologia (GO) — Prova 2015
Um escolar de 7 anos de idade tem história de tosse há 7 dias e febre há 3 dias. Ao exame pediátrico apresenta-se em REG prostrado, Tax= 39°, FR=42irpm. A ausculta pulmonar revela murmúrio vesicular bastante diminuído em 2/3 inferiores do hemotórax direito. A conduta para esta criança deve ser:
Criança prostrada + febre alta + MV ↓ extenso → Internar, ATB IV, puncionar tórax (suspeita empiema).
A prostração, febre alta e taquipneia em uma criança com murmúrio vesicular diminuído em grande parte do pulmão indicam um quadro grave de pneumonia, provavelmente complicado por derrame pleural ou empiema. Nesses casos, a internação, antibioticoterapia endovenosa e a punção torácica diagnóstica/terapêutica são mandatórias.
A pneumonia é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças, especialmente em países em desenvolvimento. A identificação precoce de sinais de gravidade é fundamental para um manejo adequado e para evitar complicações. Quadros de pneumonia grave, caracterizados por prostração, febre alta persistente, taquipneia e desconforto respiratório, exigem atenção imediata. Uma complicação comum e séria da pneumonia bacteriana é o derrame pleural parapneumônico, que pode evoluir para empiema. A fisiopatologia envolve a inflamação da pleura adjacente ao foco pneumônico, levando ao acúmulo de líquido. Se o líquido se tornar infectado e purulento, configura-se o empiema. O diagnóstico é suspeitado clinicamente pela diminuição do murmúrio vesicular e macicez à percussão, e confirmado por radiografia de tórax ou ultrassonografia. A conduta para pneumonia grave com suspeita de derrame pleural ou empiema inclui internação hospitalar para monitorização e suporte, antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro para cobrir os patógenos mais comuns (como Streptococcus pneumoniae e Staphylococcus aureus), e a punção torácica diagnóstica e terapêutica. A punção permite a análise do líquido pleural para guiar a antibioticoterapia e, se necessário, a drenagem do empiema, que pode exigir a inserção de dreno torácico. O tratamento precoce e agressivo é essencial para prevenir sequelas pulmonares e sistêmicas.
Critérios incluem idade < 2 meses, hipoxemia, desconforto respiratório grave, desidratação, prostração, incapacidade de ingerir líquidos, falha terapêutica ambulatorial e suspeita de complicações como derrame pleural.
Deve-se suspeitar de derrame pleural quando há persistência de febre, piora do estado geral, dor torácica, e achados no exame físico como macicez à percussão e diminuição do murmúrio vesicular.
A punção torácica é crucial para o diagnóstico etiológico (análise do líquido pleural) e para o alívio sintomático. Se o líquido for purulento ou tiver critérios de empiema, a drenagem é terapêutica e essencial para a resolução da infecção.
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